Brasil "limpa" a maior favela do Rio antes da chegada do papa Francisco

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17 Julho 2013

A violência ligada ao tráfico de drogas recrudesceu na favela carioca da Rocinha nas vésperas da chegada do papa Francisco ao Brasil, na próxima segunda-feira. A Rocinha é o bairro popular com maior número de moradores no Rio de Janeiro - pelo menos 70 mil - e também uma das favelas que o governo brasileiro considerava pacificadas. O papa não a visitará, mas a deterioração da segurança nesse lugar é um sintoma que preocupa as forças da ordem, prevendo o que possa ocorrer durante a estada de Francisco na cidade.

A reportagem é de Juan Arias, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 17-07-2013.

Em uma operação batizada Paz Armada e desenvolvida durante o fim de semana, dezenas de policiais entraram na Rocinha com 58 ordens de prisão contra supostos traficantes de drogas que ainda operam na favela. Foram detidas 30 pessoas, entre elas vários chefes, e descobertos cem postos de venda de droga.

A polícia, com a ajuda das câmeras colocadas na Rocinha depois da pacificação, e também graças à informação obtida nas redes sociais, conseguiu localizar os traficantes em becos que nem sequer figuram nos mapas do Google.

A Rocinha foi dividida em duas grandes zonas de venda de droga por grupos de traficantes que continuam lutando entre si, exatamente como nos tempos em que eram os donos absolutos da favela.

A venda de drogas ainda é comandada e organizada da prisão pelo famoso traficante Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, detido há dois anos quando fugia depois de uma operação militar na favela.

Na Rocinha, assim como em outras favelas ocupadas pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), está instalado em caráter permanente um destacamento de 700 policiais desde novembro de 2011. Mas nem sequer sua presença atemoriza os traficantes.

Segundo cálculos policiais, o tráfico de drogas na Rocinha proporciona aos criminosos US$ 3 milhões por mês. É uma favela emblemática não só por sua numerosa população, mas também por estar situada em um lugar estratégico, entre o bairro mais nobre da cidade, Leblon, e a prestigiosa Barra da Tijuca.

Em suas vertentes se localiza um dos hotéis de prestígio da cidade, o Intercontinental, que foi assaltado em agosto de 2010 por traficantes que fizeram 35 reféns entre hóspedes e funcionários.

A situação geográfica da favela, com vistas fabulosas da cidade, fez que no último fim de ano dezenas de turistas estrangeiros decidissem passar ali o Réveillon, para ver os tradicionais fogos de artifício na praia de Copacabana, entre os mais espetaculares do mundo. E há poucos dias a imprensa informou que uma das casas da favela tinha sido adquirida por um estrangeiro por US$ 300 mil. Entretanto, paradoxalmente, talvez seja a presença de turistas o que deu novo alento aos traficantes.

O alarme foi dado há alguns meses quando o turista alemão Daniel Benjamin Franck, de 25 anos, foi ferido com arma de fogo na Rocinha. A polícia admite que, apesar de sua pacificação, continuam atuando nela cerca de cem traficantes.