''O IOR deve ser mais transparente. Eis o que faremos para reformá-lo''. Entrevista com Jean-Louis Tauran

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29 Junho 2013

"O banco vaticano, mesmo tendo uma especificidade própria, deve ser reformado. É justamente esse, em definitivo, o objetivo final da nova Comissão Pontifícia sobre o IOR à qual o papa me chamou para fazer parte, juntamente com outros quatro expoentes. Nos próximos meses, trabalharemos com grande determinação, mas reservadamente, em silêncio, para delinear um quadro exaustivo, claro e transparente, que colocaremos ao serviço do Santo Padre, a quem cabe toda decisão final".

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 28-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem fala é o cardeal francês Jean-Louis Tauran (70 anos completados no dia 5 de abril passado), membro da Comissão Pontifícia instituída na quarta-feira passada pelo Papa Francisco para lançar luz sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR).

O cardeal Tauran – ex-ministro das Relações Exteriores da Santa Sé e, desde 2007, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso – é o único membro do novo órgão que também faz parte da comissão cardinalícia de vigilância do próprio IOR, presidida pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

Uma figura, portanto, de absoluta confiança do Papa Bergoglio, que, para estudar tempos e modos para intervir no discutido banco pontifício, já nomeou na semana passada à cúpula do IOR outro eclesiástico de sua confiança, Mons. Battista Ricca, que, com o cargo de prelado do banco, irá responder diretamente ao pontífice.

Agora é a vez da comissão referente presidida pelo cardeal Raffaele Farina. E um dos seus membros, o cardeal Tauran, revela pela primeira vez que, "sim, trabalharemos para deixar as coisas claras e para chegar a reformar o Instituto".

Eis a entrevista.

Cardeal Tauran, o papa já confiou à nova comissão um mandato preciso para conhecer a fundo todos os mecanismos do IOR e identificar como intervir para fazer limpeza e para dar um novo rosto ao banco?

Ainda é muito cedo para responder a essa pergunta. A comissão referente foi instituída pelo Santo Padre com um quirógrafo, um documento pessoal do papa, datado de 24 de Junho. Mas nós ainda não nos encontramos. Veremos em breve o que fazer e em que seremos chamados a intervir. Ainda haverá muito a fazer.

Além das polêmicas, das investigações, do envolvimento do banco vaticano nos últimos anos em episódios incômodos, será preciso rever o papel do IOR no âmbito da Igreja?

Será preciso identificar o caminho certo para colocar o IOR nas melhores condições possíveis para fazer o bem da vida da Igreja universal. Mas sem fazer disso um mito e sem sensacionalismos.

Em muitas partes, no entanto, se invoca para o IOR clareza, transparência e limpeza. O senhor compartilha?

Certamente. Acima de tudo, a clareza é um bem universal que deve ser buscado em todos os níveis. Não só no IOR. Embora seja preciso dizer que, no fim, não seria bom se o caminho da clareza fosse dramatizada excessivamente. Nós, membros da comissão, nos próximos meses, trabalharemos para entender, para conhecer, para deixar tudo mais claro, mas com serenidade, com espírito colaborativo e sempre cooperativo, conscientes de que todos trabalhamos a serviço da Igreja, na privacidade e no silêncio. Faremos tudo o que for possível para servir ao Santo Padre também em uma matéria tão delicada.

Pode-se imaginar que o objetivo final da Comissão Pontifícia referente é de colocar o papa em uma condição de reformar o IOR para que a Santa Sé possa ser inserida na lista dos países mais confiáveis em matéria de operações bancárias?

Veremos o que vai surgir ao longo do nosso trabalho. Embora não haja dúvida de que o objetivo principal do trabalho da comissão é de chegar a uma reforma do IOR. É inútil esconder isso. Apesar de estarmos plenamente conscientes de que o IOR já tem um perfil próprio, desempenha um papel, tem as suas características institucionais específicas. Características que, nunca devemos esquecer, devem ser sempre postas a serviço da Igreja.

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