Vítimas de abusos pedem a renúncia do cardeal Pell

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Por: Jonas | 30 Mai 2013

As vítimas de abusos sexuais, por parte do clero católico na Austrália, nesta terça-feira, pediram a renúncia do cardeal George Pell, arcebispo de Sydney. Pell compareceu, na segunda-feira, numa investigação do estado de Victoria, para falar sobre os abusos sexuais contra menores e negou ter acobertado casos de pedofilia, embora tenha admitido ocultamentos realizados por um predecessor. “Realmente, sinto”, afirmou.

A reportagem é publicada no sítio Religión Digital, 28-05-2013. A tradução é do Cepat.

O prelado explicou que ele nunca ocultou nenhuma acusação e que se encarregou de que fossem colocados em curso os procedimentos para enfrentar os casos de abusos sexuais. “Estou plenamente comprometido em melhorar a situação. Sei que o Santo Padre também está”, disse Pell, um dos oito cardeais selecionados pelo papa Francisco para ajudar a reformar a Cúria.

Entretanto, muitos entre o público que compareceu à audiência permaneceram indiferentes diante da declaração de Pell, ex-arcebispo de Melbourne, a capital do estado de Victoria. “A pouca atenção que demonstrou às vítimas, mostra que continuam sem entender”, disse Stephen Woods, que sofreu abusos de um sacerdote pedófilo. “Tem que renunciar. Seu tempo acabou”, acrescentou.

Na segunda-feira, Pell havia afirmado que o medo do escândalo levou a Igreja católica da Austrália a encobrir as acusações de pedofilia, desde os anos 1930. “A primeira motivação foi proteger a reputação da Igreja”, declarou Pell.

O governo do estado de Victoria (sul) abriu uma investigação a respeito dos abusos sexuais contra crianças, cometidos em instituições religiosas ou privadas. Em 2012, a Igreja reconheceu que ao menos 620 crianças, apenas neste Estado, foram vítimas de abusos por parte de sacerdotes, a partir dos anos 1930.

Na semana passada, o arcebispo de Melbourne, Denis Hart, admitiu que a Igreja demorou muito para reagir diante das acusações de abusos sexuais. O estado de Nova Gales do Sul, cuja hierarquia católica também é acusada de acobertamento, abriu sua própria investigação.

Em nível nacional, uma investigação foi iniciada, em abril, com a audição de 5.000 presumíveis vítimas de agressões em hospícios, escolas, igrejas, associações esportivas ou centros de detenção para menores.