Gustavo Gutiérrez. Gênio sim, mas, sobretudo, um homem bom

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Por: Jonas | 20 Abril 2013

“O interesse de Gustavo nunca foi a vigência de sua teologia, mas a vigência, na Igreja, da preferência pelos pobres”, testemunha seu amigo, o sacerdote jesuíta Francisco Chamberlain, em depoimento publicado no sítio do CELAM, 19-04-2013. A tradução é do Cepat.

Eis o depoimento.

Há pouco, Gustavo Gutiérrez (foto) recebeu o prêmio nacional de cultura por sua trajetória como intelectual que produziu escritos que, sem dúvida, marcaram não apenas a Igreja latino-americana, mas a Igreja universal, nos últimos 50 anos. Sinesio López, num artigo em “La República”, destacava seus conhecimentos profundos, não apenas de teologia, sua especificidade, mas de filosofia, psicologia, assim como eu também acrescentaria, por experiência própria, seu agudo sentido do momento político, tanto nacional como eclesial.

 
Fonte: http://goo.gl/qr4jL  

Sinto-me um amigo próximo, mas, sem dúvida, há outros que estiveram mais próximos dele do que eu. Porém, aqui, o que quero destacar não é minha amizade, mas a capacidade de Gustavo em ser amigo de tanta gente. Um amigo fiel. Essa qualidade é própria de uma pessoa verdadeiramente boa. Certamente, o prêmio que recebeu recentemente baseia-se em sua produção intelectual, como também no fato de ser um homem bom e fiel. Sim, fiel aos seus amigos, mas, sobretudo, fiel aos seus esforços de contribuir para uma Igreja de e para os pobres. E, nisso, assemelha-se ao grande companheiro dominicano Bartolomeu de Las Casas. Ambos dedicaram suas vidas à paixão pelos pobres, para que eles tenham o seu lugar, tanto na Igreja como na sociedade.

Uma pessoa boa nasce com certos dotes, qualidades naturais, que ajudam, Essas qualidades vêm também de seus anos de crescimento em família, dos amigos de juventude, etc. Entretanto, em Gustavo, quando digo que é uma pessoa boa, é extremamente necessário dizer que sua bondade é uma bondade recebida no pulso. Durante 20 longos anos, precisou enfrentar os ataques ferozes dos inimigos de sua teologia, dentro e fora da Igreja. Foi acusado de tudo, de que era infiel à Igreja, que tergiversava o Evangelho, que era mais político do que teólogo, que era tudo, menos fiel seguidor de Jesus. Os ataques continuam, mas, atualmente, possuem menos força, pois Roma mesma reconheceu publicamente que seu pensamento, sua teologia, é plenamente fiel à Igreja.

Durante esses longos anos, de questionamento de sua teologia, nunca escutei dele uma palavra de amargura, de desprezo por seus adversários. Certamente, sua fidelidade a esta Igreja sempre imperfeita, teve seus custos de saúde, mas também custos pela necessidade de estar permanentemente atento em relação às novas repreensões de seu pensamento. O que me impressiona é que seu interesse, nesses anos, assim como hoje, não se centrava em sua pessoa, mas no que ele e Las Casas sonhavam: uma Igreja fiel aos pobres e, por isso, fiel ao Evangelho de Jesus. Se existe algo que marca uma pessoa boa, é o seu desprendimento de si mesma, em meio à luta por aquilo que acredita firmemente ser a verdade. O interesse de Gustavo nunca foi a vigência de sua teologia, mas a vigência, na Igreja, da preferência pelos pobres.

Acredito que a pessoa de Gustavo, sua bondade, como também sua teologia, serviram para nos aproximar do Evangelho, da vida e da prática de Jesus, Serviram para que a palavra evangélica diga algo intenso ao nosso presente. E isso se deve não apenas à genialidade de seu pensamento, mas também e, sobretudo, à bondade de sua pessoa.

Se estas minhas palavras, por certo balbuciadas, tiverem a má sorte de chegar às mãos de Gustavo, peço perdão. Sei que são gabações que ele não necessita, nem busca, mas ao contrário, é a necessidade dos amigos de elogiar e reconhecer a bondade onde a encontram. 

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