''A medida de Bento XVI se refere ao ofício do papa, não à sua pessoa''

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12 Fevereiro 2013

A decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao papado no fim de fevereiro marca uma mudança significativa na compreensão dos católicos do papel do papa, segundo um proeminente teólogo que estuda a autoridade da Igreja.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 11-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para os católicos acostumados a identificar o papa como uma pessoa específica, a medida de Bento XVI mostra que o papa também é um ofício, afirma Brian Flanagan, professor da Marymount University, em Maryland, que também atua como diretor da College Theology Society.

"A melhor coisa sobre a resignação anunciada de Bento XVI é que ela ajuda a restaurar a nossa compreensão do papado como a de um ofício, em vez de uma posse pessoal", afirma Flanagan, que é eclesiólogo, teólogo que estuda a forma e a estrutura da Igreja ao longo dos tempos.

"O papa exerce a sua autoridade como bispo de Roma e, por causa isso, como pastor universal, como o chefe de uma Igreja local, não por causa de uma mudança permanente no seu status pessoal", continua Flanagan.

"O papado agora pode ser visto claramente como um ofício crucial da Igreja universal, mas em que o papa continua sendo um detentor de uma função pública, em vez de uma figura insubstituível e mágica. Eu apostaria 20 euros, se o Vaticano aceitasse cartões de crédito, que Bento XVI está fazendo isso com uma grande consciência das implicações eclesiológicas, e não só práticas, para os papados futuros. O precedente pode ser muito bem o seu maior presente para a Igreja".