Economista jesuíta critica proposta de reforma bancária

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Por: André | 30 Janeiro 2013

Esse jesuíta é Gaël Giraud [na foto], economista, doutor em matemática aplicada, indicado para o prêmio 2009 de melhor economista, autor de vários livros, entre os quais, O Fator 12, Ilusão Financeira ou ainda 20 Proposições para Reformar o Capitalismo. Em suma: um “monstro”. Nesta semana, ele provocou burburinhos com uma nota ácida de 22 páginas em que desmonta a proposta de reforma bancária do governo, explicando porque “a lei francesa reúne todas as fraquezas dos projetos anteriores sem herdar nenhuma qualidade”.

A reportagem está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 25-01-2013. A tradução é do Cepat.

Seu argumento é o seguinte. Existem dois tipos de atividades bancárias: aquela dos bancos comerciais, que geram os créditos, os depósitos e os pagamentos e recebem para isso o apoio do Estado. E aquelas dos bancos mercantis que intervêm nos mercados e especulam, exercendo, portanto, o papel de intermediários e não devem se beneficiar do apoio do Estado. Mas, de fato, esses dois tipos de atividades são, às vezes, misturados no interior dos bancos: chamamos isto de bancos mistos.

Esses bancos mistos recebem um apoio “implícito” do Estado, porque elas praticam ao mesmo tempo uma atividade comercial. Em suas declarações, o presidente François Hollande comprometeu-se a “controlar as finanças [...] pelo voto de uma lei sobre os bancos que os obrigaria a separar suas atividades de crédito de suas operações especulativas”. O objetivo era impedir os conflitos de interesses, a ameaça sobre os depósitos e a extensão da garantia do Estado.

Mas para Gaël Giraud, no projeto de reforma, essa não é a verdadeira questão. Assim como para Thierry Filipponnat, secretário geral da associação internacional Finance Watch que, em nota publicada na revista La Vie, evoca “uma reforma enganosa”. “O texto restringe-se a limitar algumas atividades especulativas em uma filial. Não trata da questão essencial: a separação das atividades do banco comercial daquele de negócio nos mercados financeiros, para os clientes dos bancos ou sua própria conta”. O debate no Parlamento está previsto para o dia 12 de fevereiro.