San Francisco: clima tenso pela chegada de bispo conservador

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01 Agosto 2012

Uma provocação. Pode-se resumir assim a série de reações que, em San Francisco, se seguiram à notícia da nomeação de Dom Cordileone – atualmente bispo de Oakland, onde novamente celebrou com o rito antigo – a arcebispo da cidade mais anticonformista da América.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 31-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para Salvatore Cordileone, nascido em 1956, natural de San Diego, eleito na semana passada por Bento XVI para a cátedra de San Francisco, depois de três anos à frente da diocese de Oakland (com 26 padres denunciados de abuso infantil) – um amplo território com uma alta taxa de criminalidade urbana – trata-se de um cargo de prestígio.

Mas Cordileone é o bispo – o único entre os seus colegas californianos – que lutou pela famosa Proposition 8, aquela que suspendeu as uniões civis entre homossexuais, depois declarada inconstitucional pela Suprema Corte por ser discriminatória. Na verdade, parece que, do seu próprio bolso, pagou seis mil dólares para a campanha e, no outono passado, escreveu novamente ao Congresso defendendo o matrimônio como um dos principais direitos da liberdade.

Presidente da Comissão Episcopal para a Promoção e a Defesa do Matrimônio, ninguém imagina que ele ficará apenas olhando a prática já consolidada no Capitol Hill, onde as uniões gays fazem parte há anos do tecido social da cidade (muito publicizadas pela TVs locais). Ainda mais ele que as chamou de "o ataque final do Diabo contra o matrimônio" e que, no outono passado, havia promovido um abaixo-assinado para pedir o consentimento dos pais no caso de aborto de uma menor (mas se manifestou a favor da abolição da pena de morte).

Assim, se acabaria voltando o relógio para os anos do episcopado do cardeal Levada, que depois passou a ser prefeito em Roma, com um clima de constantes confrontos verbais entre esferas eclesiais e civis.

Nem mesmo a sua declaração após a nomeação, durante uma coletiva de imprensa na Catedral de St. Mary, em San Francisco (onde ele falou alternadamente em inglês e espanhol), tranquilizou os ânimos: "O matrimônio só pode derivar do abraço entre um homem e uma mulher. Não vejo como isso possa ser considerado uma discriminação".

De fato, conforme relatado pelo maior jornal da sua sede atual, o Oakland Tribune, Charles Martel, presidente dos Católicos pela Igualdade dos Direito Matrimoniais, espera-se o início de uma batalha. Mas não faltam os fervorosos defensores, como Ron Prentice, do Conselho Californiano da Família, que logo manifestou "profunda gratidão" pela escolha.

Cordileone, de sua parte, prefere chamar a atenção para aquilo que ele chama de "desafio": a diversidade cultural e étnica da metrópole mais extraordinária dos EUA, com mais de meio milhão de católicos, dos quais mais da metade são de origem latino-hispânica ou asiática.