Estratégia de questionamento da eleição presidencial divide a esquerda mexicana

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17 Julho 2012

Andrés Manuel López Obrador, ou AMLO, está pedindo pela “invalidação” da eleição presidencial do dia 1º de julho no México. O candidato derrotado da coalizão de esquerda, liderada por seu Partido da Revolução Democrática (PRD), prestou queixa, na quinta-feira (12), junto ao Tribunal Eleitoral Federal. AMLO denuncia a compra em massa de votos por parte do Partido Revolucionário Institucional (PRI, centro), que permaneceu no poder entre 1929 e 2000.

A reportagem é de Frédéric Saliba, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 14-07-2012.

“O princípio de equidade foi violado”, acusa AMLO, depois de ter perdido a eleição presidencial por 3,2 milhões de votos (6,6%) para Enrique Peña Nieto, candidato do PRI. O representante da esquerda afirma que o antigo partido hegemônico “comprou 5 milhões de votos” através, entre outras formas, de cartões pré-pagos da rede de supermercados Soriana. Ele também critica a “iniquidade da mídia”, os “financiamentos ocultos através do banco Monex” e “o uso de recursos públicos por parte dos governadores” do PRI, que implicou no fato de se ter “ultrapassado o teto das despesas de campanha” (20,5 milhões de euros), e com isso invoca a violação do Artigo 41 da Constituição, que garante “eleições livres” e “equitativas”. O Tribunal Eleitoral tem até dia 6 de setembro para se pronunciar sobre a queixa.

Pego entre as correntes radicais e moderadas do PRD, López Obrador tem optado pelo questionamento no terreno legal, uma estratégia inédita para AMLO, acostumado com mobilizações de rua. Já na disputa presidencial de 2006, ele havia contestado sua derrota apertada (0,56% dos votos) contra o presidente Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN, direita). Declarando-se “presidente legítimo”, ele mobilizou seus simpatizantes a bloquear durante seis semanas o centro da Cidade do México.

Para Gustavo López Montiel, cientista político no Instituto Tecnológico de Monterrey, “a mobilização popular contra fraudes eleitorais é a marca registrada de AMLO desde sua primeira candidatura em 1988 ao posto de governador do Estado de Tabasco”. Por que AMLO mudou de estratégia? “Sua posição radical em 2006 lhe valeu uma perda de popularidade,” analisa José Luís Piñeyro, cientista político na Universidade Metropolitana. “Sua mudança de atitude se explica também pelas divisões dentro de seu partido”.

De seis anos para cá, López Obrador perdeu peso político em prol de outras figuras mais moderadas do PRD, a começar por Marcelo Ebrard. Sucessor de AMLO na prefeitura da Cidade do México (2006-2012), bastião da esquerda, esse pragmático declarou que lançará, já em setembro, sua candidatura para a eleição presidencial de 2018.

“Sem deixar de se solidarizar com seu antecessor, Marcelo Ebrard e Miguel Ángel Mancera, o novo prefeito da capital, já viraram a página”, observa López Montiel. O governador eleito do Estado de Morelos, Graco Ramírez, uma personalidade de esquerda, se mostrou ainda mais hesitante, ao anunciar sua recusa em apoiar AMLO, em nome da “governança do país”. Quanto ao “líder moral da esquerda”, Cuauhtémoc Cárdenas, defensor das instituições, ele comemorou o fato de que “Andrés Manuel tenha agido respeitando a lei”. Apesar do apoio do Movimento Cidadão e do Partido do Trabalho, que integram sua coalizão eleitoral, AMLO deve fazer um acordo dentro do PRD com a ascensão de correntes mais consensuais, entre elas a “nova esquerda”, tendência dominante do presidente do partido, Jesús Zambrano. “Está fora de cogitação um protesto de rua que impediria a esquerda de capitalizar seu lugar de segunda maior força política do México, após as eleições legislativas do dia 1º de julho”, informa sob condição de anonimato um membro dessa corrente.

Essa tendência se opõe à da “velha esquerda”, originada das lutas sociais dos anos 1960 e 1970. Esses radicais dogmáticos, comunistas, maoístas, trotskistas ou ex-guerrilheiros querem uma mobilização popular. “AMLO está preso entre as tribos do PRD”, observa López Montiel, que prevê que o Tribunal Eleitoral rejeitará sua queixa. “É difícil provar que compras de votos permitiram a vitória de Peña Nieto com 3 milhões de votos de vantagem sobre AMLO”, ele diz. Uma estratégia fadada ao fracasso? Para Piñeyro, “AMLO só quer criar um precedente contra as manipulações eleitorais, deixando que os cidadãos se mobilizem sem ele”. Uma nova manifestação contra o PRI está prevista para sábado (14), na Cidade do México. No entanto, isso não basta para acalmar as dissensões dentro do PRD. A partir de 2013, a eleição de seu presidente poderá desencadear uma guerra de líderes.

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