Os anticonceptivos também salvam vidas

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Por: Jonas | 13 Julho 2012

A cada ano, 250 mil mulheres em todo o mundo salvam suas vidas graças aos métodos anticonceptivos. Se o acesso aos anticonceptivos adequados estivesse garantido para todas, outras cem mil poderiam ser salvas. É o que aponta um estudo publicado no último número da revista científica “The Lancet”, revelando que em países em desenvolvimento, nas últimas décadas, os avanços em matéria de saúde reprodutiva permitiram reduzir a mortalidade materna em 40%.

A reportagem está publicada no jornal Página/12, 10-07-2012. A tradução é do Cepat.

Um estudo dirigido por John Cleland, especialista em demografia médica da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, aponta que 335.000 mulheres morreram em todo o mundo, em 2008, por enfrentarem partos e abortos perigosos. Ao mesmo tempo, neste mesmo ano, outras 250.000 salvaram suas vidas graças ao acesso e uso de anticonceptivos. Por esta razão, a publicação destacou que nos últimos 20 anos, de acordo com o estudo, a mortalidade materna foi reduzida em 40% nos países em desenvolvimento.

No entanto, em regiões como a África Subsaariana, apenas 22% das mulheres casadas ou ativas sexualmente recorrem a métodos anticonceptivos, enquanto que em países desenvolvidos esse número sobe para 75%. “Nos países em desenvolvimento, se todas as mulheres que desejam tivessem acesso aos anticonceptivos, o número de mortes maternas poderia baixar 30%”, assegura a pesquisa feita por Cleland.

De acordo com essas projeções, em outro estudo, o pesquisador Saifudin Ahmed assinala que o número de vidas, que desta maneira poderiam ser salvas, se aproxima de 104.000 por ano. O próprio Ahmed registra a morte de três milhões de recém-nascidos, a cada ano, em sua grande maioria bebês oriundos de países desenvolvidos e vítimas de complicações na gravidez ou no parto. De acordo com Cleland, a redução do número de gravidezes de risco e a ampliação do intervalo entre duas gravidezes elevariam as possibilidades de sobrevivência para as crianças.

“Nos países desenvolvidos, os riscos de casos de prematuros e com pouco peso no nascimento se duplicam quando a concepção ocorre em menos de seis meses após um nascimento, ao mesmo tempo em que crianças nascidas a menos de dois anos após o irmão que as precedem, possuem 60% de riscos adicionais de morrerem na infância do que os nascidos depois de dois anos”, revela Cleland.

Consultada por este jornal, a ginecologista e diretora do Hospital Alvarez, Diana Galimbert, avaliou que “o intervalo entre filhos é muito importante”. “Em geral, a mulher que tem uma gravidez muito próxima da anterior não consegue a recuperação de todo o processo, e os bebês possuem mais problemas, sobretudo associados com a prematuridade, quando este intervalo é muito curto. O artigo fala de porcentagens relativas aos casos em que os bebês nascem com intervalos de menos de seis meses. Na Argentina, busca-se que o intervalo de nascimento de um filho para outro seja de dois anos ou mais, para permitir uma amamentação exclusiva e para que a mãe se recupere do processo de gravidez e parto”.

Por outro lado, Galimberti explicou que “quando as crianças são filhos de mães menores de 15 anos, os números de mortalidade infantil duplicam”. A especialista lembrou que nos países desenvolvidos “não se aceita que não haja acompanhamento pré-natal”, enquanto que “nos países do Terceiro Mundo, geralmente, 50% das gravidezes são não planejadas”. “É muita coisa”, destaca Galimberti, lembrando o trabalho do Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (Eclamc), que chegou a esse resultado. “O que alguém teria que dizer, além do fato de que todos esses números sobre a falta de acesso a anticonceptivos adequados são alarmantes, é que ainda é preciso promover o acompanhamento pré-natal em todos os aspectos. Isso implica que toda mulher, que queira ficar grávida, faça uma análise prévia, para se engravidar nas melhores condições”.

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