Rio+20 alcança apenas o mínimo denominador comum, segundo o Conselho Mundial de Igrejas

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29 Junho 2012

Os participantes do Conselho Mundial de Iglesias (CMI) na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, patrocinada pelas Nações Unidas, uniram-se a uma ampla coligação religiosa na rejeição do documento oficial do encontro.

A reportagem é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 28-06-2012.

“Reconhecidos cientistas ambientalistas dizem que não aconteceu praticamente nada entre 1992 e 2012 quanto à política pública e compromisso mundial” no que diz respeito a mudanças climáticas, observou o teólogo brasileiro Leonardo Boff.

O escritor brasileiro somou-se ao coro de vozes críticas que participaram da Conferência da ONU e o evento paralelo organizado pela sociedade civil, a Cúpula dos Povos.

Boff presidiu, junto com o moderador do Comitê Central do CMI, o pastor brasileiro Walter Altmann, mesa realizada na Cúpula dos Povos sobre “A base ética e teológica da justiça climática”.

“Onde quer que vamos, levamos destruição e obrigamos ao resto da espécies a fugir. Lá onde reina nosso pensamento baseado na economia, prevalecem a pobreza, a exploração e a fome”, denunciou Boff.

Altmann lamentou a aparente desconexão entre as estratégias das organizações internacionais reveladas no documento final de Rio+20 e os recursos potenciais em nível local, como as comunidades religiosas e outras expressões da sociedade civil.

“Teve mais diálogo com a sociedade civil em 1992”, recordou Altmann. Ele enfatizou, analisando a dimensões éticas e espirituais, que as comunidades religiosas têm a vocação específica de responder às crises que o planeta enfrenta.

O painel presidido por Altmann e Boff foi um dos 80 eventos da Cúpula dos Povos agrupados num espaço ecumênico e inter-religioso denominado “Religiões pelos direitos”. As atividades realizadas nesse espaço promoveram uma interação entre as múltiplas e variadas religiões do mundo.

O encarregado do programa de Cuidado da Criação e Justiça Climática do CMI, Guillermo Kerber, *CMI, reafirmou a conclusão dos parceiros religiosos, questionando o documento de Rio+20 como um instrumento de mudança eficaz.

“O documento final da Rio+20 não reflete a urgência das ameaças para a vida na Terra que a comunidade científica apresenta”, disse. “Também não renova os compromissos anteriores da comunidade internacional, em especial os dos Convênios da Rio 92 com respeito à diversidade biológica, à desertificação e à mudança climática. Não há compromissos novos nem concretos com vistas ao futuro”.

Em sua crítica do documento, Kerber revelou que o CMI advogou um preâmbulo baseado em princípios éticos. “Ao ser incapaz de atingir um consenso, a comunidade internacional optou pelo denominador mínimo comum, evitando as questões controvertidas. Com isso, perde a Terra e perdem os pobres e vulneráveis”.

Para o CMI, anunciou Kerber, o argumento da crise financeira para justificar compromissos mais concretos da comunidade internacional no cuidado é inaceitável.

Durante a conferência, representantes da Cúpula dos Povos reuniram-se  com o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, para informá-lo da frustração dos representantes da sociedade civil com respeito ao documento final de Rio+20.

“A Cúpula dos Povos não aceitou o documento final da Rio+20 como um instrumento de mudança eficaz”, informou o diretor executivo da organização ecumênica de serviço Koinonia, Rafael Soares de Oliveira.

Necessidade de teologia pública

O bispo Heinrich Bedford-Strohm, da Igreja Evangélica Luterana da Baviera, Alemanha, foi um dos oradores que seguiu alentando às pessoas de fé para que se dedicassem à luta contra a deterioração do meio ambiente.

Bedfron-Strohm disse que “as religiões chegam às mentes e aos corações das pessoas. Portanto, o que precisamos é uma teologia pública que se desenvolva em linguagem religiosa e laica”.

Também assinalou dois elementos que, na sua opinião, são fundamentais para mudar o mundo: inspiração e incentivos. “Não sou tão pessimista”, disse o bispo. “As religiões têm muito a oferecer”, agregou.

“O que vimos aqui no Rio de Janeiro demonstra que a distância entre a Conferência oficial e a Cúpula  dos Povos reflete a necessidade urgente de aumentar a participação da sociedade civil no diálogo mundial”, sugeriu o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastor Nestor Paulo Friedrich.

Uma jovem líder muçulmana, Soher O Sukaria, secretária da Sociedade Árabe Muçulmana de Córdoba, Argentina, e coordenadora da Rede Juvenil de América Latina e o Caribe de Religiões pela Paz, enfatizou a luta comum das religiões na proteção do meio ambiente e no empoderamento dos pobres.

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