Estrangeiros notam mudanças no Rio, 20 anos depois da Eco-92

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25 Junho 2012

O húngaro Janos Pasztor acha que o Rio está mais seguro. A indiana Vandana Shiva encontrou menos miséria, mas percebeu a redução do verde. O americano Michael Glantz critica o encarecimento dos serviços, enquanto o venezuelano Edgardo Lander aponta o recrudescimento da exclusão dos moradores de favelas. Estrangeiros que estiveram na Eco-92 e voltaram 20 anos depois têm impressões distintas sobre a cidade. Seis deles as compartilharam com o Estado.

A reportagem é de Roberta Pennafort, Sérgio Torres, Tiago Rogero, Heloísa Aruth Sturm e Antonio Pita e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 25-06-2012.

A primeira imagem que veio à cabeça tanto da ativista Vandana quanto de Pasztor, secretário-geral do Painel de Alto Nível da ONU sobre Sustentabilidade Global, foi o desaparecimento de vastas áreas não edificadas no entorno do Riocentro.

"Hoje é só concreto, concreto. É um reflexo do modelo de crescimento econômico insustentável que o Brasil, assim como a Índia, está seguindo", lamentou Vandana. "Eram terrenos vazios, o campo. A Barra da Tijuca cresceu enormemente. É a expansão urbana do jeito que é sempre. O que vejo é que expandiram o metrô, construíram linhas expressas", disse Pasztor.

Ele notou diferença significativa na sensação de segurança. Assim como o professor Glantz. "A cidade era mais perigosa. Havia mais proteção no centro, na área de Copacabana. Agora sinto que há menos." Glantz reclama dos preços. "O Rio está mais caro, mas é difícil dizer, por causa da conferência. Meu problema maior é com a globalização: está internacional demais, com influências demais do Hemisfério Norte."

A militante chinesa Pat Yang também se espantou com o custo de vida. "Alimentação e hospedagem estão mais caros." Ela lembra que o Brasil passava por instabilidade econômica em 1992, com a inflação assustando os brasileiros.

Apaixonado pela beleza natural carioca, em especial pelas pedras do Arpoador, Lander - à época aluno de Ciências Sociais, hoje um sociólogo destacado - critica a persistente exclusão dos moradores de favelas. "Uma elevada proporção das pessoas está invisível. Essa separação territorial entre setores da população se acentuou nesses 20 anos e creio que vá se aprofundar no Rio com a Copa e a Olimpíada."

Vandana vê os resultados da melhoria real das condições de vida experimentada em todo o País no período. "Percebo que existe um compromisso com a justiça social. Vejo menos pessoas dormindo nas ruas e menos pobres sendo mandados para longe. Em 92 vim com meu filho pequeno e ele jogou futebol com crianças de rua em Copacabana. No dia seguinte, voltamos, e não estavam mais lá, o lugar tinha sido 'limpo'. Ficamos chocados."

A ambientalista australiana Wendy Goldstein se deparou com uma cidade "mais desenvolvida". "O Rio parece estar melhor, com um metrô vindo nessa direção (da Barra da Tijuca). Há muitas evidências de desenvolvimento. Mas mantiveram a natureza preservada em volta da cidade, as praias continuam bonitas e as ruas me parecem mais limpas." Uma ressalva: as pessoas aparentemente eram mais otimistas. "Tinham um senso de euforia, de que haveria um futuro positivo à frente."