Nascem os incomodados mexicanos

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25 Mai 2012

Um total de 24 milhões de jovens com menos de 29 anos fazem parte do censo eleitoral, e 14 milhões nunca votaram em eleições presidenciais.

Esses números ganharam vida e irromperam na campanha eleitoral mexicana com uma força nunca vista. São os incomodados, os enganados, os ignorados, os estudantes, sobretudo os das universidades privadas, que, fartos de uma democracia desvalorizada, foram à rua para protestar contra a corrupção, os partidos políticos e a "manipulação" informativa das grandes cadeias de televisão.

A reportagem é de Luis Prados, publicada no jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 24-05-2012.

O estopim que desencadeou uma série de manifestações estourou no último dia 11, quando o candidato presidencial do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, foi a um ato de campanha na Universidade Iberoamericana, fundada por jesuítas e situada em uma das áreas mais exclusivas da capital mexicana. Os estudantes logo se cansaram das vaguezas do político e começaram a criticar sua gestão como governador do Estado do México.

Sem possibilidade de réplica, Peña Nieto acabou fugindo entre gritos de "Fora, fora!" e "Assassino!". O PRI reagiu acusando os universitários de se deixarem manipular por um grupo de provocadores e infiltrados. A Televisa, a rede com maior audiência e que é acusada de apoiar o líder priista, só deu uma versão dos fatos favorável ao velho partido hegemônico.

A fagulha se transformou em explosão quando os estudantes se mobilizaram nas redes sociais. Gravaram um vídeo em que 131 deles mostravam sua carteira universitária e desmentiam as desqualificações. O vídeo motivou a simpatia de muitos outros jovens, que criaram a página "Eu Sou 132", convidando outros a unir-se ao protesto. Com a velocidade de um clique, o incômodo se transformou em "trending topic" no Twitter, revolucionando a campanha eleitoral e surpreendendo toda a classe política.

Uma semana depois do incidente com Peña Nieto, os estudantes da Ibero se uniram a outros do Tecnológico de Monterrey do campus do Distrito Federal, a Anauhac (universidade fundada pelos Legionários de Cristo), La Salle e Instituto Tecnológico Autônomo do México em um protesto contra a Televisa, e no sábado milhares de jovens se manifestaram no Distrito Federal e em outras cidades entoando lemas como "Nem um voto para o PRI!" ou "Não somos um, não somos cem, imprensa vendida, conte-nos bem!"

José Woldenberg, ex-presidente do Instituto Federal Eleitoral, dá as boas vindas a "essa expressão de rejeição, de distância crítica" com o establishment e espera "que se traduza nas urnas". "Em uma campanha eleitoral aborrecida e sem novidades, aconteceu algo que não estava no roteiro", aponta. Mas faz duas salvaguardas: "O que acontece nos centros de educação superior não é extrapolável para o resto dos jovens, e o DF não é representativo do país."

"É algo novo. A classe média-alta só havia se expressado publicamente até agora por causas universais como a segurança ou a paz", comenta o sociólogo e jornalista Jorge Zepeda, que se mostra surpreso "pelos erros cometidos pelo PRI na contenção de danos". "Os priistas foram muito hábeis na campanha em termos convencionais, mas as redes sociais são um terreno muito novo que não sabem processar e ao qual chegaram tarde. A esquerda está muito melhor posicionada nelas devido, em parte, à desconfiança de Andrés Manuel López Obrador dos meios tradicionais." Na opinião dele, o incipiente movimento juvenil está tomando mais partido que o 15-M espanhol e, caso continue, tirará votos de Peña Nieto, mas não provocará uma virada eleitoral.

Para o escritor e cientista político Federico Reyes Heroles, o protesto é "uma arma política do Partido da Revolução Democrática (PRD)". "Está se cumprindo a profecia que advertia que se López Obrador não crescesse com sua república do amor se radicalizaria", e acrescenta com ironia: "A confusão política não é privativa das universidades públicas". Entretanto, comemora que o movimento represente "um puxão de orelhas para os priistas" e critica a atitude da candidata do Partido Ação Nacional (PAN), Josefina Vázquez Mota, que conclamou as mobilizações contra Peña Nieto: "Parece um rugido de desespero."

Roy Campos, diretor da consultoria eleitoral Mitofsky, uma das mais respeitadas, aponta que a queixa estudantil poderá se traduzir em uma maior participação, mas que esta "dependerá, mais que do movimento em si, de como reagirão e o administrem os políticos. Quem souber ler melhor subirá nas pesquisas".

Os jovens entraram na campanha e reclamam uma mudança, transformando-se em uma espécie de quinto poder. E por enquanto estão ganhando. A televisão transmitiu pela primeira vez na manhã de segunda-feira, dez dias depois do incidente, nove minutos sobre o que aconteceu na universidade Iberoamericana.

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