Um padre protetor dos emigrantes deixa o México após sofrer ameaças

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Por: André | 17 Mai 2012

O padre Alejandro Solalinde, o defensor dos emigrantes centro-americanos que atravessam o México rumo aos Estados Unidos, abandonará nos próximos dias o seu país após receber seis ameaças de morte nos dois últimos meses. Solalinde, que ganhou notoriedade pública em janeiro de 2007 com a sua firme defesa de um grupo de emigrantes sequestrados e maltratados por policiais de Oaxaca, é hoje, junto com o poeta católico Javier Sicilia, fundador do Movimento pela Paz em defesa das vítimas do narcotráfico, uma das vozes mais fortes da sociedade civil mexicana.

A reportagem é de Luis Prados e está publicada no jornal espanhol El País, 15-05-2012. A tradução é do Cepat.

Solalinde, de 67 anos, decidiu ampliar para dois meses um giro previamente programado pelos Estados Unidos, Canadá e vários países europeus – entre eles provavelmente a Espanha, de acordo com alguns de seus colaboradores –, para permitir que tanto a Procuradoria Geral da República (PGR), como a de Oaxaca investiguem as ameaças anônimas contra o religioso. Esta saída temporária do país obedece às recomendações de segurança da PGR, da Comissão Nacional de Direitos Humanos mexicana, da Anistia Internacional, das Brigadas Internacionais da Paz e do episcopado mexicano.

O religioso fundou, há cinco anos, o abrigo para emigrantes centro-americanos Irmãos do Caminho, de Ixtepec, em Oaxaca, perto da fronteira com a Guatemala. Nele são atendidas as necessidades dos indocumentados, ameaçados em sua viagem pelo narcotráfico e pelas máfias dedicadas ao tráfico de pessoas e de órgãos.

Em declarações ao jornal digital Animal Político, Solalinde nega que se trate de um exílio e garante que irá retornar ao México nos primeiros dias de julho. “Não vou sair por medo”, afirma. “O exílio não vai comigo. Eu estou muito feliz no abrigo para migrantes e nunca fugiria. Eu não tenho medo, pelo contrário, estou muito confiante em relação às coisas que estamos conseguindo e, se faço esta parada, é apenas por obediência. Eu sou missionário e se não me tivessem pedido este tempo para a investigação, não teria aceito sair do país”.