“Economia mudou da chaminé para o software, o soft Power”, diz Gilberto Gil

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Por: Cesar Sanson | 05 Abril 2012

Nas viagens que fez ao exterior, Gil usou sua música para aumentar a visibilidade de sua pasta, como no evento em que dividiu o palco com o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Em entrevista à BBC Brasil, Gil defendeu a criação de um organismo para articular as ações de "soft power" do país.

A reportagem é de Rodrigo Pinto e publicado pela BBC Brasil, 04-04-2012.

"Soft power" é um conceito elaborado pelo professor americano Joseph Nye para definir a capacidade de países influenciarem relações internacionais e intensificarem trocas comerciais através da sedução de produtos como filmes, música, moda, mídia e turismo. Em contrapartida, o "hard power" simboliza ações militares e estritamente econômicas.

O ex-ministro afirma que o "hard power" brasileiro cresceu na esteira do foco do Itamaraty em ações comerciais e políticas, em detrimento das culturais. "Com o Brasil se tornando mais potente e vocal, o soft power tem que crescer na mesma proporção que o hard power", avalia o ex-ministro.

Gil cita a ação batizada de "Films follow the flag"("Filmes sucedem a bandeira", em tradução literal), segundo a qual, após conquistarem militarmente um país, os americanos enviavam seus filmes e outros produtos culturais, como forma de exportar valores, para sublinhar a importância de ações de hard power.

"A lógica das trocas internacionais sempre foi, historicamente, a de usar o poder militar e, depois, o poder econômico. Mas, nos últimos 50 anos, a cultura tem acompanhado essas ações", sublinha. "A economia também mudou, da chaminé, que é hardware, para o software, que é soft power, o setor de serviços."

Novo 'ente público'

Gil afirma que ainda durante sua gestão no Ministério da Cultura assistiu ao fechamento de "várias instituições culturais" ligadas ao Itamaraty. Havia, segundo ele, a orientação de focar a ação do Ministério das Relações Exteriores na política e na mediação econômica, que ele chama de forças dominantes.

"Era um processo em curso", diz, ao lembrar que não reclamou na época da perda de espaço da cultura no xadrez das relações externas brasileiras. "Havia a suposição de que o país se beneficiaria deste foco e do enxugamento da máquina cultural do Itamaraty."

Para o músico, será necessário estabelecer uma política clara de soft power que coordene iniciativas públicas e privadas nas áreas de comércio exterior, tecnologia, turismo e cultura. "Não tem jeito, não dá para continuar ignorando isso e achar que vamos exportar commodities e manufaturados para sempre." Segundo o ex-ministro, "não é demais estabelecer uma segunda categoria de ente público", além do Itamaraty, capaz de mediar as relações entre mercado, Estado e sociedade e de criar "políticas públicas em nome do coletivo".

"Cinema, artes plásticas e música precisam de um ente que faça a ponte (com outros segmentos da economia) e garanta equidistância dos interesses comerciais, artísticos e político-estratégicos", afirma. O músico lembra que institutos culturais como Goethe (Alemanha), British Council (Grã Bretanha) e Aliança Francesa (França) estabeleceram o diálogo da cultura destes países com as culturas locais e reverteram-no em "força empreendedora e comercial". "Mas é preciso haver respaldo institucional", reforça.

Gilberto Gil se apresentará duas vezes em Londres neste ano antes dos Jogos Olímpicos. Primeiro, no festival Back2Black, do qual participou de todas as versões, e, em seguida, no Barbican Theatre, no dia 4 de julho, com a London Symphony Orchestra, no espetáculo que celebra os 70 anos do músico.

O festival Back2Black trará à Old Billingsgate, em Londres, nos dias 29 e 30 de junho e 1o de julho, nomes como Luiz Melodia, Femi Kuti, Marcelo D2, Criolo, Mart'nalia, Emicida, Arnaldo Antunes, Virginia Rodrigues, Roots Manuva e Fatoumata Diawara.

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