Número de milionários no Brasil vai dobrar até 2016

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16 Dezembro 2011

O mercado de "private banking" brasileiro caminha para alcançar R$ 1 trilhão em 2016, mais que o dobro dos R$ 430 bilhões atuais, projeta Marco Abrahão, da área de gestão de fortunas do CSHG.

A reportagem é de Angelo Pavini e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-12-2011.

A previsão é de que quase 500 mil novos milionários entrem no mercado até lá, elevando o total de 319 mil para 815 mil em quatro anos. Nas estimativas do Credit Suisse, o Brasil terá uma das maiores taxas de crescimento de milionários do mundo no período, com 155% de aumento, perdendo só para África do Sul, com 242%, e Egito, com 197%.

O mercado de private banking brasileiro vai continuar agitado nos próximos anos, caminhando para R$ 1 trilhão em recursos sob gestão em 2016, mais que o dobro dos R$ 430 bilhões atuais. Essa é a estimativa de Marco Abrahão, responsável pela gestão de fortunas do CSHG, a partir dos dados da última pesquisa divulgada no relatório Global Wealth Report, do Credit Suisse.

A estimativa é de que quase 500 mil novos milionários entrem no mercado até lá, elevando o total de endinheirados brasileiros de 319 mil para 815 mil daqui cinco anos. Nas estimativas do Credit Suisse, o Brasil terá uma das maiores taxas de crescimento de milionários do mundo entre os emergentes no período, com 155% de aumento, perdendo apenas para África do Sul, com 242% de crescimento, e Egito, com 197%.

De olho nesse crescimento, o CSHG está investindo no aumento de sua fatia no private brasileiro. O banco tem R$ 38 bilhões sob gestão e 4 mil clientes com mais de R$ 3 milhões para investir. O valor representa um crescimento de mais de 25% no ano, considerando captações e rentabilidade. "É um resultado bom, considerando que tínhamos R$ 11 bilhões em 2006", diz. E são apenas recursos locais, observa Abrahão, uma vez que a gestão internacional fica a cargo do Credit Suisse no exterior.

Se forem considerados os recursos da asset, o valor total sob gestão da CSHG vai a R$ 45 bilhões, com 11 mil clientes, que incluem investidores em fundos da gestora, que este ano concluirá sua venda para o sócio suíço. O Brasil ainda é uma parcela pequena do private do Credit Suisse. No mundo todo, o banco possui US$ 960 bilhões em private.

E o crescimento no Brasil se dará nos investimentos locais, acredita Abrahão. Segundo ele, hoje, 35% dos fundos da casa poderiam aplicar no exterior, mas apenas 5% dos recursos foram efetivamente mandados para fora. "O dinheiro não deve sair daqui, pois o Brasil mudou de patamar, está muito mais atrativo."

Abrahão observa que, de 2000 a 2005, o segmento de private bank brasileiro ficou estagnado. A partir das aberturas de capital de 2006 e 2007, houve uma grande venda de ativos e o volume de recursos de empresários para aplicar disparou. Depois, veio em 2008 a crise dos EUA ao mesmo tempo em que o Brasil conseguia sua classificação de grau de investimento pelas agências de rating. "Isso aumentou muito a confiança do estrangeiro e do próprio brasileiro no Brasil", afirma.

Agora, em 2011, veio a crise da Europa e, novamente, houve uma distinção do Brasil. "E essas crises fazem com que a tendência seja de o investidor doméstico aplicar mais aqui", diz.

A expectativa de novos milionários por enquanto está concentrada nos negócios de fusões e aquisições de empresas, já que as aberturas de capital pararam por conta da queda da bolsa, afirma Abrahão. E está também se desconcentrado, para outras regiões do país, caso do Nordeste, onde as classes C e D aumentaram bastante o consumo e valorizaram as empresas. Por isso o CSHG está abrindo um escritório em Recife. O private já está presente em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Para Abrahão, o mercado brasileiro de private banking segue bastante aquecido, especialmente nas faixas mais altas de riqueza, que foram as que mais cresceram, afirma. De 2008 para cá, a parcela de investidores com mais de R$ 10 milhões na casa aumentou em 100%.

O desafio no próximo ano será equilibrar novas aplicações com a rentabilidade em baixa na renda fixa, uma vez que a estimativa é de a taxa básica Selic cair para 9,5%. No último ano, com a turbulência externa, a grande ênfase nos privates foi na proteção do patrimônio dos clientes. Por isso, o CSHG comprou muitas Notas do Tesouro Nacional (NTN) série B, corrigidas pela inflação do IPCA, com juros na casa dos 5% reais para os clientes. "E elas vão continuar muito atraentes nos próximos meses", diz.

Outra estratégia foram os fundos e notas de capital protegido, que aproveitam as oportunidades criadas pela volatilidade do mercado. "E também muitos fundos multimercados se saíram bem este ano", acrescenta.

Alguns fundos no exterior também deram bons resultados aos clientes do private. "Ganhamos tanto com papéis lá fora, que subiram bastante, como a Apple, quanto com o dólar, que disparou aqui", afirma.

Já no caso da bolsa, que acumula queda de 17% no ano, não houve uma fuga dos investidores, mas os aportes pararam, afirma Abrahão. Segundo ele, o CSHG ainda não está sugerindo aplicação maior em ações. "Estamos dando foco maior para proteção em renda fixa", diz.

Apesar disso, ele espera um aumento da procura por renda variável no ano que vem. "Em 2012 devemos quebrar a barreira psicológica dos juros abaixo dos 10% ao ano e o investidor vai sair do juro, desde que se tenha um cenário mais claro", diz. Para Abrahão, com um cenário mais claro, o Ibovespa poderia dar um pulo de 15%.

Para este ano, com os juros nominais em queda e a inflação ainda pressionada, o juro real deve cair e tornar mais atrativas aplicação isentas de imposto de renda, como os fundos imobiliários e as letras de crédito imobiliário. "Com um ganho de 0,8% nominais ao mês, não pagar IR já ajuda bastante", diz. Além disso, papéis privados, emitidos por empresas e bancos, também devem pagar prêmios maiores.

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