Sete homens são mantidos reféns em aldeia indígena por causa de hidrelétrica

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21 Outubro 2011

Sete homens estão detidos desde a terça-feira (18) numa aldeia da Terra Indigena Kayabi, na divisa dos estados do Pará e Mato Grosso, por índios das etnias kayabi, apiacá e munduruku.

No grupo estão quatro funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), dois representantes da Empresa de Pesquisa Energética e um antropólogo.

A reportagem é de Altino Machado e publicada por Terra Magazine, 20-10-2011.

Trata-se de um protesto dos índios contra um complexo hidrelétrico que prevê a construção de seis usinas no rio Teles Pires.

Numa carta distribuída na tarde desta quarta, os índios anunciaram que os homens permanecerão detidos até que o governo compareça na aldeia para dialogar.

- Estou enviando essa mensagem para pedir a ajuda de vocês para divulgarem uma medida que tomamos para que pudéssemos ser escutados. Como deve ser do conhecimento de vocês, estamos sendo atropelados pelo governo, que pretende construir várias barragens no entorno de nossa terra - assinala o líder indígena Taravy Kayabi.

Segundo o líder, os índios estão sendo “sumariamente desrespeitados”.

- Já estamos vendo a barragem de Teles Pires ser construída e até agora, mesmo após a Licença de Instalação, nenhum programa nos foi apresentado.  Mal pudemos saber melhor desse processo e agora o governo quer fazer audiência pública de São Manoel sem que os estudos na terra indígena tenham terminado.  O próprio antropólogo nos contou que tem somente uma semana para apresentar o estudo.

De acordo com Taravy Kayabi, tudo tem sido muito acelerado para construir as barragens e suas principais reivindicações não têm sido atendidas, como a demarcação da terra, com acompanhamento do Ministério Público Federal.

- Dissemos não a essas barragens e queremos que essa audiência não aconteça com a pressa que o governo quer.  Seria muito importante que a imprensa soubesse dessa nossa ação e pedimos para que eles venham acompanhar nossa reivindicação e para que tudo aconteça de forma pacífica.

Na OEA

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou o governo brasileiro para que se explique sobre a não adoção de medidas de proteção dos direitos indígenas das populações ameaçadas pelo projeto de Belo Monte, como foi solicitado cautelarmente pela instituição.

No próximo dia 26 de outubro, representantes do governo brasileiro deverão comparecer a uma audiência fechada, presidida por um Comissionado da CIDH, em Washington.

Na reunião, que contará com a presença de lideranças das comunidades afetadas em Altamira (PA) e advogados das entidades de direitos humanos, serão reapresentadas as denúncias da não realização da consulta livre, prévia e informada (oitivas indígenas) pelo Congresso Nacional anteriormente ao licenciamento da usina, além de relatos sobre o aumento dos problemas que atingem as populações do Xingu em função das obras da usina.