PT ampliou alianças com PSDB, DEM e PPS nos municípios

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06 Setembro 2011

A resolução do Congresso do PT, no fim de semana, que proibe coligações com os principais partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS - em 2012 é atualmente desobedecida pelo partido.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 06-09-2011.

A coligação de petistas com tucanos e integrantes do DEM e do PPS vem se tornando cada vez mais frequente nas eleições para prefeito.

Nas três disputas de 2000, 2004 e 2008, o DEM/PFL subiu progressivamente sua presença nas alianças feitas pelo PT: de 9,9% (2000), passou para 17,3% (2004) e chegou a 21,9% (2008). A participação do PSDB em alianças integradas por petistas, que era de 23,2% e 23,1%, cresceu para 25%. Ou seja, na última eleição municipal, em um quarto das coligações do PT, os tucanos estiveram juntos com seu maior adversário nacional.

A presença do PPS é ainda maior. Era de 27%, subiu para 28,3%, e caiu levemente para 25,6% em 2008.

O levantamento, feito pelo cientista político Vitor de Moraes Peixoto, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mostra como a política nacional de alianças do PT esbarra nas realidades locais - diante do objetivo maior da legenda de se expandir e se ramificar pelos rincões.

"É uma opção estratégica de interiorização que leva à necessidade de se coligar. Em muitos desses municípios, o PT participa pela primeira ou segunda vez das eleições. E o adversário mais forte pode ser, por exemplo, do PMDB, cujo grupo político está há quatro ou cinco mandatos no governo. Neste caso, a lógica local leva o PT a se aproximar do PSDB", diz Peixoto.

A união dos petistas com seus adversários nacionais tem crescido até nos colégios eleitorais maiores, como capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores, onde a cúpula do PT, geralmente, exerce maior controle. Estudo do cientista político Pedro Floriano Ribeiro, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mostra que nestes municípios, entre 1996 e 2008, o número de alianças com o PSDB e o DEM subiu de zero para seis e dez, respectivamente.

Há três anos, por exemplo, petistas e tucanos estiveram na mesma coligação para reeleger Edvaldo Nogueira (PCdoB) prefeito da capital de Sergipe, Aracaju. Em Campinas, PT e DEM apoiaram a reeleição de Dr. Hélio (PDT), que foi cassado no mês passado após ser alvo de denúncias de corrupção.

No caso mais emblemático de tentativa de aliança formal numa grande cidade, em Belo Horizonte, os tucanos apoiaram Márcio Lacerda (PSB), mas não participaram oficialmente da chapa, por imposição do PT.

Os maiores colégios eleitorais municipais ainda são, de longe, os mais refratários às alianças entre PT e as siglas da oposição nacional. Mas os casos mostram que mesmos nestes municípios a cúpula petista encontra dificuldade de se apartar totalmente de seus adversários tradicionais.

Peixoto afirma que o fator mais importante para explicar a maior ou menor probabilidade de o PT se coligar, por exemplo, com o PSDB ou o DEM, não é o tamanho do município. Mas o tamanho do partido num determinado município, medido pelo seu desempenho nas últimas eleições.

"Por mais que a lógica nacional tente se sobrepor aos municípios e o PT trace diretrizes, não há como atender ao objetivo de crescimento do partido sem fazer estas alianças", afirma.

Pela resolução do PT, as coligações com PSDB, DEM e PPS não poderão ocorrer na formação de chapas, sem explicitar quais. Petistas mineiros já tentam dar uma interpretação mais flexível, que não abrangeria a eleição para vereador.


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