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25 Agosto 2011

nova tradução inglesa do Missal Romano é um produto defeituoso de um processo defeituoso. Mas isso não leva automaticamente à conclusão de que a única resposta certa para ela seja a resistência. Pessoas comuns sabem muito bem que, na prática, a Igreja está longe da perfeição e aprenderam, de modo geral, a fazer o melhor uso dela.

Publicamos aqui o editorial da revista católica britânica The Tablet, 20-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Que tipo de obediência os católicos devem à Igreja, com referência à nova tradução inglesa do Missal Romano? Mesmo antes de sua introdução no próximo outono [do hemisfério Norte], houve um vislumbre na Escócia da forma como algumas paróquias e seus padres estão reagindo, não em desafio aberto, mas com desculpas e prevaricação sobre por que a sua paróquia ainda não está "pronta" para o novo Missal.

Dom Peter Moran, bispo cessante de Aberdeen, falou recentemente de "uma certa resistência nas paróquias", que representou um "desafio".

O padre Kevin Kelly, eminente teólogo moral britânico, já publicou uma carta aos bispos católicos da Inglaterra e do País de Gales acusando-os de utilizar um "duplo discurso", elogiando a nova tradução em público, ao mesmo tempo em que expressava insatisfação com ele em privado. Está fora de discussão que a nova tradução é um produto defeituoso de um processo defeituoso, uma questão bem detalhada nas colunas da The Tablet. Isso não leva automaticamente à conclusão de que a única resposta certa para isso seja a resistência.

Em todo caso, não é isso que o padre Kelly recomenda. Ele quer que os bispos sejam francos. Os bispos obviamente fizeram um cálculo de que a nova tradução – que, em sua versão final, eles mesmos nunca aprovaram formalmente – é um "negócio fechado". Por isso, o seu dever de obediência exige que eles façam o melhor uso possível dela, guardando suas dúvidas para si mesmos. Os bispos pediram um exercício catequético nas paróquias para aprofundar a fé das pessoas na Eucaristia. É impossível se opor a isso, e pode até fazer muito bem. Mas isso não fornece uma razão convincente de por que, por exemplo, a expressão "E com o seu espírito" é a melhor resposta para "O Senhor esteja convosco" do que a forma atual "Ele está no meio de nós" [em inglês: "And also with you", "E contigo também"]. Na ausência de qualquer explicação para essa e outras infelicidades linguísticas similares, as pessoas vão se sentir confusas e, sem dúvida, um tanto irritadas.

A controvérsia recebeu uma dimensão extra quando o cardeal Napier, de Durban, escreveu à The Tablet perguntando: "O que aconteceu com a fé e a obediência religiosas na Europa? Não há mais espaço para a submissão humilde?". Até agora, a obediência não havia sido o tema dominante, embora ela o possa se tornar se os padres começarem a desafiar os seus bispos. A obediência, em todo caso, é um conceito complexo, que não significa necessariamente uma conformidade irreflexiva com uma ordem vinda de cima. Ela vem da palavra latina para "ouvir", audire, o que deixa em aberto a possibilidade de ouvir sem consentir. No contexto católico, por exemplo, como articulado pelo padre Timothy Radcliffe, OP, a obediência foi interpretada no sentido de "atenção profunda". Mas ao que, neste caso, os católicos estão em dívida de prestar atenção profundamente? A necessidade de revivificar a colegialidade nos processos de tomada de decisão da Igreja? Essa parece ser a questão fundamental.

No entanto, há nas paróquias um profundo instinto de unidade na Igreja e uma relutância do senso comum em tornar o bom – ou mesmo o não-tão-bom – em inimigo do melhor. A Missa é a Missa, qualquer que seja a língua. Pessoas comuns sabem muito bem que, na prática, a Igreja está longe da perfeição e aprenderam, de modo geral, a fazer o melhor uso dela. Mas há problemas com a abordagem "jardim de rosas" quando as pessoas têm experiências diferentes. Isso poderia minar rapidamente a confiança e a credibilidade.

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