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08 Agosto 2011

Os ministros de Economia da Unasul decidiram por uma audaz pauta para a primeira reunião do Conselho que acontecerá esta semana em Buenos Aires. Medidas para sair do dólar. Condenação à falta de liderança. Uma visão "independente".

A reportagem é de Raúl Dellatorre e está publicada no jornal argentino Página/12, 07-08-2011. A tradução é do Cepat.

A pauta para o encontro de ministros da próxima sexta-feira em Buenos Aires, que formalmente irá criar o Conselho Sul-Americano de Economia e Finanças, ficou definida na reunião da Unasul da sexta-feira da semana passada em Lima e contém propostas que vão muito além de uma declaração formal. "Talvez possamos tomar decisões concretas e não apenas que a criação deste conselho seja um fato político", sonhou o ministro argentino Amado Boudou em relação aos seus pares na última sexta-feira, pensando em uma estratégia compartilhada frente a uma crise financeira mundial cuja duração e consequências são, em boa medida, difíceis de dizer. O encontro desta semana pretende não apenas encontrar instrumentos que mostrariam a capacidade da região para ir armando o que se denominou de "uma arquitetura financeira regional menos dependente do dólar e dos centros de poder", mas, além disso, "dar uma resposta política", como sugeriu Guido Mantega, do Brasil, diante da crise de liderança evidenciada pelos Estados Unidos e a Europa.

"Antes vivíamos ameaçados pela guerra de moedas, agora vemos como o dólar se derrete", brincou um dos ministros de Fazenda durante a reunião de Lima, diante do ministro brasileiro Guido Mantega, um dos precursores em denunciar os países centrais por provocarem uma desordem financeira mundial com suas políticas monetárias. Mas agora que as consequências dessa condução explodiram nos próprios centros de poder, a América do Sul começa a discutir abertamente como imunizar-se de cair na armadilha do dólar.

Os representantes da Unasul resolveram acrescentar três capítulos específicos à pauta da primeira reunião do Conselho, que têm a ver com as medidas a serem tomadas frente à crise e à forma como os países colaborarão entre si. O primeiro é o capítulo monetário, e inclui todos os itens referidos à mobilização de reservas, uso de moedas locais em substituição ao dólar, Banco do Sul e relação com as agências qualificadoras de risco e outras agências financeiras internacionais. O segundo é o bloco comercial, para o qual a Argentina propôs a substituição do título de intercâmbio pelo de "integração produtiva". O terceiro é o referido à declaração do encontro, para o qual se está pensando dar um forte conteúdo político, que constitua uma "resposta" aos países centrais diante da crise.

Mantega e Boudou são os articuladores das propostas que o conjunto dos países da região discutirá nesta semana em Buenos Aires. Em matéria monetária, o objetivo explícito é obter "uma diminuição da dependência do dólar, tanto em seu uso como instrumento de pagamento como para reserva de valor". "No uso de moedas locais para o pagamento do intercâmbio comercial já vínhamos desenvolvendo com o Brasil uma experiência muito valiosa", destacou Boudou no encontro. Frente à experiência atual vivida pela União Europeia, o ministro destacou que o caminho transitado pelos dois sócios "é mais rico e interessante". Defendeu sua ampliação para toda a região, mediante a institucionalização de uma caixa de compensação que faça as vezes de administrador e liquidador dos saldos comerciais entre os bancos centrais. Com respeito ao Banco do Sul, a Argentina e o Brasil proporão rediscutir o desenho de sua constituição, apontando para a incorporação de mais membros: "Politicamente, é muito difícil impor os termos da capitalização (o aporte que cada país deverá fazer) que todos aprovamos", comentou o representante de um dos países que participam do projeto Banco do Sul, em referência tanto às discussões nos países que querem entrar, como aqueles que já participam, mas tiveram que brigar pela aprovação parlamentar. Quanto às agências qualificadoras de risco [rating], se insistirá em assinalar que "estiveram na origem da crise, em um lugar central entre seus responsáveis, como fator endógeno em sua geração e como propagadoras posteriormente".

O bloco de temas comerciais que fará parte da agenda contempla uma proposta argentina para converter a atual formulação de aumentar o intercâmbio por outra que fale da integração produtiva regional. "Ver como a partir de nossos países podemos orientar os investimentos para que sirvam à integração de cadeias de valor", sugeriu Boudou em Lima. "Se o potencializamos, poderíamos sustentar o crescimento e aproveitaríamos melhor nossas vantagens comparativas", assinalou.

O debate de fundo, o questionamento às respostas que vêm dando Estados Unidos e Europa à crise, a mensagem que buscará marcar diferenças com as políticas dos países centrais deveria estar refletido no que resulte do terceiro bloco de temas a serem tratados no Conselho Sul-Americano de Economia e Finanças. A maior parte dos países membros acolheu o que foi um severo questionamento do Brasil, pela boca de Mantega, ao comportamento dos países centrais. "Entre 2008 e 2010, as conclusões do G20 serviram como sinais ao mercado", quanto à intenção da busca de soluções não tão onerosas para as condições sociais da humanidade. "Mas os resultados foram sumamente pobres", compartilharam o ministro brasileiro e seu par argentino. A visão compartilhada é que "é necessário dar uma resposta política", que marque ao mesmo tempo o questionamento e a vontade de independência. "Essas lideranças estão com a credibilidade abalada, nossos países hoje têm líderes fortes; agora é possível incorporar essas lideranças numa mesma visão latino-americana que, diante da incerteza, nos detenha diante do mundo com certezas", proclamou Boudou em Lima. A promessa é concretizar isso em Buenos Aires, dentro de mais alguns dias.

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