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16 Julho 2011

A internet e as redes sociais mudaram tudo na vida das empresas. Em especial, nas áreas de pesquisa e inovação. No passado, os pesquisadores trabalhavam praticamente isolados ou em grandes equipes, mas confinados nos laboratórios de corporações gigantescas.

A reportagem é de Ethevaldo Siqueira e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 17-07-2011.

Seus contatos com outros cientistas e empresas, eram, na melhor das hipóteses, esporádicos, em eventos internacionais.

A grande mudança que revoluciona a pesquisa científica e tecnológica em todo o mundo neste início de século XXI é a passagem da inovação individual para a inovação colaborativa centrada em redes.

Hoje tudo é diferente, graças ao relacionamento e ao contato permanentes entre cientistas de todo o planeta. O velho modelo dos grandes laboratórios de pesquisas das grandes corporações, como AT&T, Xerox ou IBM, foi inteiramente superado pela inovação centrada em redes.

Esse é, aliás, o tema central do livro Cérebro Global - Como Inovar em um Mundo Conectado por Redes, escrito pelos professores Mohanbir Sawhney e Satish Nambisan, e que acaba de ser lançado em tradução brasileira pela Editora Évora.

Os autores Mohan e Satish - que é como preferem ser chamados, por seus prenomes - têm um brilhante currículo acadêmico e profissional.

Mohan leciona na Kellogg School of Management, da Northwestern University, em Evanston, Illinois, nos Estados Unidos. Satish é professor de gestão e estratégia de tecnologia na Lally School of Management, do Rensselaer Polytechnic Institute, de Nova York.

O professor Mohan esteve em São Paulo há duas semanas, para participar de evento da HSM, tendo proferido palestra para 600 executivos e empresários exatamente sobre o tema da inovação colaborativa.

Depois de ler o Cérebro Global e entrevistar seu autor, estou convencido de que leitura desse livro poderá contribuir significativamente para mudar não apenas a visão de empresários e executivos sobre o papel das redes no processo de inovação mas, também, revolucionar o próprio futuro de muitas empresas brasileiras.

O título Cérebro Global é uma imagem que me parece muito feliz para representar a massa de conhecimentos de todas as nações que se torna acessível por intermédio da colaboração centrada em redes.

A grande tese. Não há dúvida de que o cenário deste início de século XXI é marcado pela colaboração cada vez maior e mais intensa entre cientistas que trabalham em áreas afins ou inter-relacionadas.

Vivemos, sem dúvida, a passagem da inovação individual, resultante do trabalho isolado de cientistas e pesquisadores, para a inovação colaborativa centrada em redes.

Um excelente sumário das teses centrais do livro está no prefácio norte-americano, escrito por Nick Donofrio, ex-vice-presidente de Inovação e Tecnologia da IBM, para quem a inovação se torna cada vez mais global, multidisciplinar, colaborativa e aberta.

Tais características mostram as profundas diferenças entre as condições em que se as empresas inovam no século XXI e o modo como o faziam no século passado.

O grande problema para as empresas é que a globalização e a internet trouxeram desafios para os quais a maioria das corporações não estava preparada.

Daí a necessidade de reflexão permanente sobre a temática do livro dos professores Mohan e Satish.

Os autores oferecem um conjunto de propostas para que as empresas passem do antigo paradigma de inovação própria para o novo paradigma da inovação colaborativa.

O texto do livro Cérebro Global está dividido em cinco partes:

I) Da inovação interna à inovação centrada em redes;

II) O cenário da inovação centrada em redes;

III) Os quatro modelos de inovação centrada em redes;

IV) Executando a inovação centrada em redes;

V) A inovação centrada em redes e a globalização.

Ah, os políticos

Perguntei ao professor Mohan quais seriam, em sua opinião, as boas coisas que governantes e políticos poderiam aprender em um mundo que se torna cada dia mais colaborativo. Sua resposta foi franca e direta:

"Poderiam aprender muita coisa, mas, infelizmente, tudo que aprenderam até agora foi muito pouco. Se explorassem a fundo a colaboração em toda a sociedade, governos e políticos poderiam aprender muito mais coisas. No entanto, para ser um pouco mais otimista, devo reconhecer que já surgem alguns poucos exemplos que nos dão alguma esperança, como é o caso das parcerias público-privadas".

E exemplifica:

"Um caso interessante é o de um projeto na área de governo eletrônico no Reino Unido, que torna possível a qualquer cidadão ou entidade encaminhar sugestões de projetos de lei ao gabinete do Primeiro Ministro, e submeter o tema a debate prévio num site especial, com a garantia de que o assunto será analisado e debatido pelo Parlamento. Como as redes sociais ampliam sempre mais o espectro de participação e de colaboração dos cidadãos, os representantes da sociedade podem avaliar com maior acuidade suas necessidades e aspirações. É uma forma de democracia participativa e colaborativa".

Não tenho mais dúvidas de que as ideias dos professores Mohan e Satish, expostas no livro Cérebro Global, comprovam de forma cabal e definitiva que a grande alavanca da inovação é hoje a colaboração proporcionada pelas redes que interligam a humanidade.

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