Párocos austríacos pedem que mulheres tenham acesso ao sacerdócio

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03 Julho 2011

Queridos amigos, nestes dias se fala de uma contestação do clero austríaco. É promovida pelo movimento "Iniciativa dos Párocos": como explica o seu porta-voz, Helmut Schüller, mais de 250 padres assinaram um abaixo-assinado no qual pedem que as mulheres possam ter acesso ao sacerdócio.

A nota é de Andrea Tornielli, publicada em seu blog, Sacri Palazzi, 03-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os párocos também quiseram desafiar abertamente a Santa Sé em outro campo delicado, o da comunhão aos divorciados. Schüller, porta-voz do "Iniciativa dos Párocos", disse que o Vaticano "não pode impor suas próprias convicções aos padres austríacos". Um ano atrás, uma pesquisa revelou que mais de 80% dos párocos do país se declaravam favoráveis à abolição do celibato eclesiástico.

Não sendo pároco nem celibatário, nem mulher que aspira ao sacerdócio, nem (graças a Deus) divorciado, busco expressar uma opinião o mais possível serena e de algum modo distante. De todas essas questões, a que eu considero realmente conectada com a vida dos fiéis comuns é a questão da exclusão dos divorciados de segunda união ou dos conviventes da Eucaristia. Dado o crescimento exponencial de separações e divórcios, o problema se refere a um número sempre maior de pessoas.

Penso que se deva fazer de tudo para não fazer com que esses irmãos e essas irmãs se sintam como excluídos e lembro, por exemplo, a bela carta O Senhor está perto de quem tem o coração ferido, publicada pelo cardeal Dionigi Tettamanzi há três anos.

Quanto à abolição da obrigação do celibato para a Igreja latina e a abertura ao sacerdócio feminino (dois assuntos, como vocês sabem, muito diferentes entre si: também existem de fato padres casados na Igreja Católica, de rito oriental ou nos ordinariatos anglicanos, enquanto a ordenação de mulheres ao sacerdócio foi excluída solenemente mais de uma vez pelos pontífices), sem querer julgar as intenções de quem propões abaixo-assinados e iniciativas, me parece que revelam um mal-entendido .

Vocês bem sabem que as confissões cristãs que, nas últimas décadas, tomaram esse caminho, para se modernizarem, para aderir mais ao espírito do tempo etc. etc., não registraram um aumento de fiéis, mas sim uma contínua hemorragia. Disso, se compreende que o celibato do clero e as presbíteras são questões de tipo eminentemente clerical, para adeptos aos trabalhos, para especialistas interessados nos mecanismos internos da instituição eclesiástica, que correm o risco, a meu ver, de perder de vista o essencial: hoje, há a necessidade de fazer resplandecer a beleza do rosto de Jesus, a beleza da experiência cristã, em um mundo sempre mais secularizado.

Permito-me citar mais uma vez uma passagem dramática, na minha opinião, da homilia proferida por Bento XVI em Lisboa no dia 11 de maio de 2010, que se aplica perfeitamente também ao assunto deste post:

"Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?"


Sim, o que acontece? Devemos esperar que os mais de 250 padres signatários do abaixo-assinado percebam essa urgência assinalada pelo bispo de Roma. Talvez, refletindo a respeito, se poderia descobrir que aquilo que as mulheres e os homens das nossas sociedades esperam, aquilo do que realmente precisamos, é encontrar o abraço de misericórdia do Nazareno, não a esposa do pároco ou o pároco de saia.

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