Expectativa e preocupação de voluntários com a chegada de haitianos em Manaus

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13 Junho 2011

Com a vinda de mais de mil refugiados haitianos para Manaus no último ano, as terças e sextas passaram a ser dias de ansiedade, expectativa e preocupação para voluntários como o padre Valdeci Mulinari, pároco da Igreja São Geraldo, um dos oito abrigos para haitianos espalhados pela cidade.

A reportagem é de Monica Prestes e publicada pelo jornal A Crítica, 13-06-2011.

É que esses são os dias em que chegam a Manaus as embarcações que partem de Tabatinga, a primeira cidade amazonense para a qual os refugiados vão em busca do visto para permanecer no país.

De acordo com o pároco, mais de mil haitianos já estão vivendo em Manaus e um grupo de 180 deve chegar à cidade ainda esta semana.  No último sábado, outros 70 haitianos, a maioria homens, desembarcou na capital amazonense.

"Eles continuam vindo pois, por pior que seja a condição deles aqui, é melhor que a vida que tinham lá.  Agora, todas as terças e sextas ficamos apreensivos com a expectativa da chegada de mais pessoas", diz o padre.

Atualmente, os haitianos estão divididos em abrigos nos bairros Monte das Oliveiras, Dom Pedro, São Jorge, Centro, Zumbi e Betânia, além da igreja São Geraldo, onde está o maior grupo, com 67 refugiados.  Ontem, eles participaram da celebração de Pentecostes, no Sambódromo.

Miscigenação

Para o antropólogo Ademir Ramos, a chegada desses haitianos em Manaus é o início de um terceiro momento histórico de mudança da paisagem democrática da capital, em termos de formação social, pelo que representa para a presença negra no Amazonas.

Ele lembrou que Manaus viveu momentos semelhantes com a chegada de negros imigrantes, no final do século XIX, que vieram trabalhar na construção civil durante o governo de Eduardo Ribeiro, dando origem ao bairro Praça 14.

"Um segundo momento foi a chegada dos barbadianos, que vieram trabalhar na construção da Madeira-Mamoré e se refugiaram em Porto Velho e Manaus.  Essa acolhida e a miscigenação são parte da nossa cultura."

Já o geógrafo Geraldo Alves alerta para a necessidade de o poder público se preparar para receber esses haitianos e, assim, evitar problemas semelhantes aos provocados pelo êxodo rural, como o desemprego, miséria e as invasões.

"Sob o ponto de vista do crescimento populacional, a chegada deles é irrelevante se comparada aos que chegam todos os dias do interior.  Mas é preciso enxergar esse contingente como novos membros da nossa sociedade."

Desemprego

Boa parte dos haitianos que já estão vivendo em Manaus ainda não conseguiram emprego. Alguns deles já podem ser vistos nas esquinas, vendendo bebidas nos sinais.

Entre as mulheres, os empregos mais comuns são de empregada doméstica e diarista. Já os homens, estão sendo "recrutados" para a construção civil.

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