Reabrem o caso de Neruda

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03 Junho 2011

O processo se junta a outras causas abertas para determinar as responsabilidades pelas mortes de pessoas importantes nas mãos dos órgãos de repressão da Junta Militar que governou o Chile entre 1973 e 1990.

A reportagem é de Christian Palma, publicada no jornal Página/12, 03-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O juiz Mario Carroza abriu nesta quinta-feira uma investigação sobre a ação apresentada na última terça-feira pelo Partido Comunista - PC para que seja investigado o suposto assassinato do poeta e prêmio Nobel Pablo Neruda, ocorrida 12 dias depois do golpe de Estado que instaurou a ditadura de Augusto Pinochet.

Esse processo se soma a outras causas abertas para determinar as responsabilidades pelas mortes de pessoas importantes nas mãos dos órgãos repressivos da junta militar que governou o Chile entre setembro de 1973 e março de 1990. Trata-se, além de Neruda, do ex-presidente socialista Salvador Allende, do ex-presidente democrata-cristão Eduardo Frei Montalva e do ex-ministro de Allende, José Tohá, pai da atual presidente do partido de oposição PPD. A essas causas, somam-se outras 726 solicitações de investigação por casos de mortes não esclarecidas.

Há alguns dias, o PC manifestou diversas interrogações frente às causas que rodearam o falecimento do prêmio Nobel de Literatura (1971), que morreu na clínica Santa Maria no dia 23 de setembro de 1973, a mesma onde Frei Montalva faleceu no início dos anos 1980.

Nesse cenário, haviam solicitado que Carroza investigasse se o poeta – militante do PC – morreu assassinado e não devido a um câncer de próstata, conforme estabelecido pelo relato oficial dos fatos. Carroza é o mesmo juiz que conduz as diligências para apurar a morte de Allende.

As dúvidas foram levantadas pelo motorista e assistente pessoal de Neruda, Manuel Araya, que, no início de maio, em uma publicação mexicana, defendeu que o criador de Vinte Poemas de amor e uma canção desesperada foi assassinada com uma injeção administrada por um médico e não por causa da afecção da qual padecia.

O juiz pedirá o depoimento de Manuel Araya, pois, na denúncia, ficou estabelecido que "sua declaração é essencial para o estabelecimento dos fatos, razão pela qual se requer que disponibilize imediatamente ao Tribunal todos os antecedentes de que dispõe".

Além disso, o magistrado determinou a apreensão do prontuário clínico e de outros antecedentes relacionados com a internação de Neruda na Clínica Santa Maria e pediu dados ao Registro Civil a respeito da morte do poeta como o certificado médico. O Polícia de Investigações ficou, assim, com uma contundente ordem para investigar.

Segundo dirigentes do PC, às afirmações de Araya acrescentam-se diversas declarações como, por exemplo, do ex-embaixador do México no Chile, Gonzalo Martínez, que esteve com Neruda um dia antes de sua morte.

"Essa denúncia foi apresentada porque surgiram versões que desmentem o que até agora considerávamos como a versão oficial sobre a morte de Pablo Neruda", afirmou Guillermo Teillier, presidente do PC chileno.

Alguns recortes da imprensa da época desmentem a versão dada pela autoridade, e se especula que o assassinato evitaria o exílio de Neruda e seu provável papel de oposição contra o governo de Augusto Pinochet no exterior.

No entanto, nesta quinta-feira, a Fundação Pablo Neruda, que administra todo o legado do poeta, incluindo suas casas-museu em Santiago, Isla Negra e Valparaíso, desmentiu, através de um comunicado, a versão de Araya.

"Não há nenhuma evidência ou prova de qualquer natureza que indique que Pablo Neruda morreu por uma causa distinta do câncer avançado que o afligia".

A carta acrescenta que "não parece razoável construir uma nova versão da morte do poeta, só com base nas opiniões de seu motorista, o senhor Manuel Araya, que vem insistindo nesse assunto sem mais provas do que o seu parecer".

Neruda e Allende foram grandes amigos. A partir do dia 11 de setembro, dia do golpe de Estado que incluiu um covarde bombardeio do palácio La Moneda e que acabou derrubando o ex-presidente socialista, Neruda viu sua saúde ser afetada, até falecer por complicações de um câncer de próstata, somado com a deterioração emocional e o cerco das forças golpistas, que arrasaram seus bens. Isso até agora.

Araya, 65 anos, em uma conversa com a AFP, acrescentou que "o assassino foi Pinochet, que mandou matar Neruda para que não fosse embora do país, porque seu caráter de intelectual não lhe convinha para tê-lo como opositor".

No entanto, a fundação descreve que o golpe militar, a morte de Salvador Allende e a perseguição contra outros de seus amigos "agravou seu estado de saúde, a tal ponto que, nas difíceis condições criadas pela repressão daqueles dias, ele teve que ser transferido de emergência da sua casa de Isla Negra, na costa chilena, para a Clinica Santa Maria, no dia 19 de setembro".

No entanto, o ex-colaborador do Vate acrescenta que "o levamos para internar por segurança, porque ele corria perigo. Ele estava preocupado e nervoso, mas bem de saúde. Temia que o matassem".

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