A extrema direita matou Ellacuría para impedir a paz em El Salvador

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31 Mai 2011

A morte de Ignacio Ellacuría comoveu todos os estamentos sociais do país e foi o ponto de partida para a pacificação de El Salvador. O comentário é do juíz da Audiência Nacional, Eloy Velasco, que ordenou instauração de processo contra todos os envolvidos na morte dos jesuítas.

A reportagem é de Mateo Balín e publicada pelo Diario Montañés, 31-05-2011. A tradução é do Cepat.

6 de outubro de 1989. "Agora é o momento de matar os jesuítas". Universidade Centro Americana de El Salvador. 01 hora da madrugada. Depois de dez dias de planejamento no mais alto escalão político militar, um comando especial do Exército entra na residência dos sacerdotes. Buscam os "terroristas delinquentes". Os "cérebros marxistas" da guerrilha salvadorenha. O tenente Espinoza ordena que "não se deixe nenhuma testemunha". Primeiro matam a sangue frio quatro religiosos. Depois dois mais. E na sequência matam a uma mãe e a sua filha às 3hs da madrugada. Operação terminada.

"O FMLN [a guerrilha de esquerda salvadorenha] assassinou os inimigos espiões", escrevem os militares na parede da casa para acobertar o crime. Depois retornam ao quartel para os vivas de seus superiores e o aplauso dos serviços de inteligência que agiram em conivência com um setor da extrema direita do partido governante, a ARENA.

Estas foram as últimas horas do jesuíta basco Ignacio Ellacuría, trágico protagonista da guerra civil de El Salvador, a mais violenta do continente íberoamericano com mais de 75 mil mortos.

O reitor da Universidade Centro Americana, ativo mediador político e defensor de uma saída negociada entre a guerrilha de esquerda e os partidos de direita, encontrou a morte em sua residência junto a outros seis companheiros, quando a guerra começava a chegar ao seu fim. A sua morte comoveu todos os estamentos sociais do país, mas foi o ponto de partida de pacificação de El Salvador.

Esse cenário é descrito pelo juíz da Audiência Nacional, Eloy Velasco, no processo conhecido ontem. Depois de vários anos de investigação, o magistrado conclui as pesquisas e ordena que se processe 20 militares por oito delitos de assassinato terrorista e crimes lesa humanidade. Entre os acusados se encontram os responsáveis da cúpula militar salvadorenha no momento do crime e os soldados do batalhão especial que executou  as ordens de seus superiores.

O juíz Velasco ordena a prisão provisória sem fiança e a busca e a captura internacional de todos os processados e faz especial menção para a localização do coronel Inocente Orlando, ex-vice ministro de Segurança Pública e protagonista "ativo" do plano de assassinato dos sacerdotes. Para chegar a estas conclusões, o magistrado declarou não válido o julgamento que aconteceu em El Salvador em 1991 e que acabou com as "condenações forçadas" de dois coronéis e a absolvição de outros acusados, alguns deles assassinos confessos.

O processo revela que o massacre dos jesuítas foi arquitetado pelos altos cargos do governo salvadorenho do Exército. O vice-presidente Francisco Merino e os membros da La Tadona, uma secção ultra do Exército com o vice-ministro de Defesa, o coronel Juan Orlando Zepeda, a cabeça.

Durante uma década perseguiram os religiosos que consideravam os precursores do marxismo no país e líderes políticos da guerrilha de esquerda. Em outubro de 1989, em um clima favorável de paz, as elites políticas e militares decidiram-se por calar a boca e aplicar a "solução final" contra o grupo de jesuítas liderados pelo reitor universitário Ignacio Ellacuría. "Vamos buscá-los e se o encontrarmos vamos lhe dar um prêmio", anunciaram antes de sua morte, revelam agora os documentos da CIA. Vinte anos depois dos crimes, a verdade judicial agora vê a luz.

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