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13 Mai 2011

A "mais importante corrente de reflexão gerada na América Latina nos últimos anos": assim Eduardo Gudynas, pesquisador do Centro Latino-Americano de Ecologia Social de Montevidéu, define o Bem Viver, conceito incorporado nas Constituições da Bolívia (suma qamaña, em aymara) e do Equador (sumak kawsay, em quíchua) e logo assumido pelo pensamento altermundista como símbolo de um novo paradigma de civilização, cheio de esperanças de futuro.

A reportagem é de Claudia Fanti, publicada na revista italiana Adista, 14-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desde o seu ingresso nas Constituições dos dois países andinos, muito tem sido dito e escrito sobre o evocativo conceito. Mas ainda há muito a ser elaborado e esclarecido. E assim, em um número especial da revista America Latina en Movimiento (nº 462, fevereiro de 2011) dedicado ao tema (sob o título Bem Viver: Gerando alternativas para o desenvolvimento), Eduardo Gudynas se encarrega de oferecer uma visão panorâmica sobre o conjunto de ideias, ainda em vias de elaboração, englobadas pela expressão Bem Viver, em resposta e em alternativa aos conceitos convencionais de desenvolvimento.

E ele faz isso limpando o terreno de diversos equívocos: o Bem Viver, ressalta, não se reduz ao sumak kawsay ou ao suma qamaña andinos. Não existe nem um Bem Viver "indígenas", já que essa categoria "é um artifício que só serve para homogeneizar dentre dela povos e nacionalidades muito diferentes, cada um dos quais tem, ou poderá ter, sua própria concepção do Bem Viver". Ele não prevê um retorno ao passado, mas sim a construção de um futuro diferente daquele determinado pelo desenvolvimento convencional. Nem deve ser interpretado "como uma reinterpretação ocidental de um modo de vida indígena em particular".

Ao contrário, o Bem Viver pode ser definido – destaca Gudyinas – como uma plataforma que serve para reagrupar diversas posições, incluindo aquelas que nasceram no pensamento ocidental, "cada uma com sua especificidade, mas que coincidem em questionar o desenvolvimento atual e em buscar mudanças substanciais apelando a outras relações entre as pessoas e o ambiente".

É impossível, enfim, não se deter sobre o papel desempenhado pelos governos progressistas, cujas estratégias de desenvolvimento já constituiriam, segundo alguns, em exemplos de Bem Viver. Na realidade, como demonstra Gudynas, essas estratégias continuam inspirando-se plenamente em um modelo de desenvolvimento convencional, como indicam claramente os inumeráveis conflitos vividos, também na Bolívia e no Equador, com o avanço das empresas mineradoras e petrolíferas.

"É necessário sermos muito claros que uma postura comprometida com o Bem Viver implica em sair do extrativismo. Esse é um tipo de atividade que, por seus impactos sociais e ambientais, é, sem dúvida, incompatível com o Bem Viver em qualquer uma de suas expressões concretas".

Por isso a necessidade de uma transição ao Bem Viver marcada por um "equilíbrio entre as permanências e as transformações", capaz de gerar "um movimento de mudança real. Cada nova transformação deve abrir as portas a um novo passo, evitando o estancamento e imprimindo um ritmo de mudança sustentável".

O longo artigo de Gudynas, em sua versão original, pode ser acessado na íntegra aqui.

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