Vaticano analisa o livro de Pagola sobre Jesus

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13 Fevereiro 2011

Parecia ter terminado a perseguição contra o Jesus. Uma aproximação histórica, do teólogo José Antonio Pagola, ex-vigário geral da diocese de San Sebastian, na Espanha, na época do bispo José Maria Setién, E, ao invés, lançada por El Correo de Bilbao (30/01), chega a notícia que a Congregação para a Doutrina da Fé colocou sob investigação o livro – que, todavia, traz o nihil obstat do bispo. Juan Maria Uriarte (sucessor de Setién e predecessor do atual bispo José Ignacio Munilla) -, obra que vendeu 80 mil exemplares e foi traduzida para várias línguas (Nota da IHU On-Line: o livro foi traduzido pela Editora Vozes, 2010).

A reportagem é de Eletta Cucuzza e publicada pela Agência Adista, 12-02-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Parecia que se pudesse esperar por uma "reabilitação" do teólogo e isso por dois motivos: principalmente a Ppc (a casa editora dos religiosos marianistas por cuja tipografia havia visto a luz o "Jesus histórico" e que, no entanto, sob pressões hierárquicas, o retirara posteriormente de todas as livrarias) e que no passado mês de dezembro publicou uma nova obra de Pagola, O caminho aberto por Jesus. Mateus (seguirão os volumes sobre os outros três evangelistas).

Em segundo lugar, o teólogo basco voltara a falar em público (na Universidade de Cantábria) com um sucesso para ele habitual, embora em parte "censurado": seu nome não estava inserido no programa oficial do evento, um compromisso encontrado com a diocese. Esperança evidentemente mal recolocada. Não se sabia, ademais, que fora "novamente chamada à ordem" - assim refere El Correo, - a diocese de Gefate (sufragânea daquela de Madri) precisamente por haver concedido o nihil obstat ao livro O caminho aberto por Jesus.

Tem, portanto, início uma investigação do longo e tortuoso "iter’ [caminho] que dará conta dos pareceres negativos expressos por cada bispo e pela Comissão doutrinal do episcopado espanhol, bem como das relações dos consultores da Congregação para a Doutrina da Fé e das respostas que o próprio Pagola dará ao questionário que a Congregação lhe enviará para saber o que tem a dizer em sua defesa.

E, qual será a culpa? Pois bem, isso a Pagola não é dado saber, como a todos os indagados pelo Vaticano. Numa carta de solidariedade enviada a Pagola nestes dias, José Maria Castillo, outro teólogo que acabou colocado em 1988 sob a prensa vaticana, escreve: "A coisa mais dura nestas situações é não se saber exatamente o que está sucedendo e por que está sucedendo", e refere: "São muitos e excelentes os teólogos que leram e releram o teu livro sobre Jesus. E não encontraram nele nada que seja contrário ou que ataque o dogma cristológico".

Não só não encontraram nada, mas, segundo o cardeal Gianfranco Ravasi, teólogo e presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, "o modo transparente para guiar o leitor não "técnico" nesta selva [de ensaios sobre a cristologia] permaneça talvez apresentando aquele estilo narrativo adotado na Espanha por dois estudiosos, Armand Puig e Tàrrech (Jesus. Resposta aos inimigos, São Paulo) e José Antonio Pagola (Jesus. Uma aproximação histórica)" (Il Sole24ore, 5/12/2010). Como Ravasi, parece ser um alguém que estima o trabalho de Pagola o número dois da Congregação para a Doutrina da Fé, o secretário Luis Francisco Ladaría: segundo o que afirma o cotidiano de Bilbao, na época ele "era favorável à publicação do "Jesus histórico", e agora teria feito um by-pass. A indagação da Congregação também tomará em conta estes ultra-autorizados pronunciamentos?

 

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