FSM - Petrolíferas devem sair da Nigéria, dizem ativistas

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09 Fevereiro 2011

Grupos nigerianos de direitos ambientais estão fazendo campanha, no Fórum Social Mundial (FSM) que acontece em Dacar, para expulsar as companhias de petróleo da região do Delta do Rio Níger, no sudeste do país.

A reportagem é de Ebrima Sillah, da IPS, e publicada pela Agência Envolverde, 10-02-2011.

Falando em um encontro organizado por mulheres nigerianas ativistas, que fazem parte de um grupo por direitos ambientais, Goodison Jim Dorgu, diretora executiva da oraganização não governamental Environmental Health and Safety Network, baseada no Estado produtor de petróleo Bayelsa, ela disse que a sociedade civil nigeriana chegou à conclusão de que as companhias de petróleo são responsáveis por diversas degradações ambientais e por isso devem ir embora logo.

“Nós achamos que as companhias petroleiras devem deixar as margens do Rio Niger. São necessárias novas negociações sobre a extração de petróleo e as comunidades devem estar no diálogo para terem voz nas negociações”, afirmou Goodison.

Outros palestrantes ressaltaram que as indústrias provocaram violência na rica região do Delta do Niger, sendo as mulheres as principais vítimas dos ataques.

Emem Okon, a líder do Centro de Desevolvimento e Recursos para Mulheres na cidade de Port Harcourt, alegou que os próprios seguranças das empresas petroleiras estão envolvidos em ataques às mulheres. Ela também disse que o Exército nigeriano cometeu violações graves dos direitos humanos.

“Existem casos específicos em Akwa-Ibom onde a Shell trouxe capangas e eles atacaram mulheres. Uma grávida foi morta à tiros. Também existem casos em Ogoniland, onde o governo criou forças tarefa de segurança interna e tudo o que esses soldados fizeram foi usar as mulheres como armas de guerra”, disse Emem.

“Muitas mulheres foram estupradas, e muitas adolescentes foram transformadas em escravas sexuais”, denunciou Emem.

O líder da Amigos da Terra Internacional, Nnimmo Bassey, disse que será uma longa batalha essa luta por justiça ambiental no Delta do Niger.

“Nós estamos fazendo muitos treinamentos para os habitantes locais e mobilizações, e estão surgindo vários novos grupos”, disse Nnimmo, que é do Delta do Niger.

“O regime de responsabilidade tem sido tão bem escondido que até o Exército está acobertando o que as companhias de petróleo têm feito. O governo está por trás delas”, afirmou Nnimmo

O ativista disse ainda que existem muitas restrições. “Um monte de trabalho ainda precisa ser feito, mas um dia, quando ninguém esperar... o povo vai prevalecer.”