Wikileaks: "20 bilhões de dólares escondidos offshore"

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17 Janeiro 2011

Rudolf Elmer, o banqueiro suíço que hoje entregou ao sítio de Julian Assange os nomes de milhares de potenciais grandes sonegadores fiscais, considera o "Wikileaks a minha última esperança. Tentei aproximar autoridades e mídia na minha batalha contra os bancos. Não houve nada a ser feito". Na próxima quarta-feira, o banqueiro deverá se apresentar diante da magistratura suíça para responder a acusações de violação do segredo bancário.

A reportagem é do portal do jornal La Repubblica, 17-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao longo de uma coletiva de imprensa no Frontline Club de Londres, Elmer entregou a Assange dois CDs contendo cerca de 2 mil nominativos dos que "estacionaram" o seu dinheiro nos paraísos fiscais, além dos seus dados bancários. Ao jornal suíço Der Sonntag, Elmer já havia explicado que se trata de dados relativos a personagens riquíssimos, pelo menos 40 políticos, companhias internacionais e fundos de sociedades incluídas em uma lista de países que compreende os EUA, Alemanha e Grã-Bretanha. Todos potenciais grandes evasores do fisco.

Até 2002, ano em que se aposentou, Rudolf Elmer dirigiu os escritórios nas ilhas Cayman do Julius Baer, o mais importante grupo suíço de private banking. Os dados entregues a Assange chegam de três institutos financeiros suíços, incluindo o Julius Baer, e abrangem um período entre 1990 e 2009.

Assange prometeu que o Wikileaks irá avaliar se vai publicar o material "provavelmente em algumas semanas". "Se verdadeiramente houver traços de sonegação fiscal", serão divulgados, explicou Assange, anunciando que parte dos dados será entregue às autoridades competentes.

Na coletiva de imprensa, também participou John Christianson, da organização Tax Justice Network, segundo o qual 20 bilhões de dólares estão escondidos offshore [extraterritorialmente]. "O segredo bancário suíço deve desaparecer, mas os suíços fazem o seu melhor para protegê-lo", denuncia Christianson.