Bactérias consumidoras de metano teriam limpado o Golfo do México

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09 Janeiro 2011

É uma boa notícia. Certamente a única atribuída à plataforma petrolífera Deepwater Horizon, cuja explosão, no dia 20 de abril de 2010, provocou a maior maré negra da história dos Estados Unidos.

A reportagem é de Pierre Le Hir, publicada pelo jornal Le Monde e traduzida pelo Portal UOL, 08-01-2011.

Pesquisadores americanos relatam, na revista “Science” de quinta-feira (6), como bactérias marinhas eliminaram, em quatro meses, o metano (CH4) espalhado ao mesmo tempo que o petróleo pelo Golfo do México. Essa resposta natural, que teria sido impossível de observar sem a catástrofe, poderia se desencadear espontaneamente em outras situações de liberação de hidrocarbonetos gasosos no fundo oceânico, acreditam os autores.

Entre 20 de abril e 15 de julho, data na qual o vazamento foi contido, cerca de 780 milhões de litros de petróleo bruto foram derramados no oceano, a 1.500 metros de profundidade. Mas esse produto era uma mistura de hidrocarbonetos líquidos e de gases. O vazamento também levou a uma emissão maciça de metano, que os pesquisadores estimam em 150 mil a 200 mil toneladas. O equivalente, em uma zona bem limitada, à quantidade de metano liberada naturalmente em todo o Mar Negro.

O que aconteceu com esse hidrocarboneto gasoso, potente gás de efeito estufa, do qual somente uma fração (menos de 1%) entrou na atmosfera? Ele primeiramente se dissolveu, em fortes concentrações, de 1.200 a 800 metros de profundidade. Depois, ele... desapareceu.

“Auto-regeneração”

Os pesquisadores realizaram três expedições de medições, em meados de agosto, no início e no fim de setembro, a bordo de um navio da Agência Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA). Eles mediram o teor de metano e de oxigênio das colunas de água em mais de 200 setores diferentes. “Nós esperávamos que o metano fosse permanecer presente por anos”, relatam. Em vez disso, a partir de meados do mês de agosto, ou seja, 120 dias após o início do vazamento, os índices de CH4 não excediam seu nível geral no Golfo do México.

A queda concomitante do teor de oxigênio sugere que as bactérias degradaram muito rapidamente o metano, processo que leva à sua transformação em gás carbônico (CO2). Hipótese essa confirmada pelo sequenciamento de uma ampla amostra de bactérias, que mostra uma proliferação de espécies metanotróficas, ou consumidoras de metano. “É uma nova demonstração das extraordinárias capacidades de auto-regeneração da natureza”, comenta Frank Haeseler, chefe do departamento de geoquímica do Instituto Francês do Petróleo (IFP).

Os pesquisadores concluem que uma liberação de metano de grande amplitude no oceano profundo suscita uma resposta bacteriana rápida e de mesma amplitude. Ora, tais emissões gasosas estão sujeitas a acontecer. Naturalmente, durante erupções vulcânicas submarinas, por exemplo. Ou de forma acidental.

Um dos riscos do aquecimento dos oceanos, assim como de uma futura exploração dos hidratos (ou clatratos) de metano que formam enormes jazidas de hidrocarbonetos presos nos sedimentos marinhos, é justamente uma liberação brutal e maciça de metano. Será então que bastariam bactérias para neutralizar a tempo esse temido gás de efeito estufa?

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