"O terrorista queria atacar durante a missa"

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04 Janeiro 2011

A tensão a três dias do massacre da virada do ano em Alexandria do Egito não diminui. A onda de emoção e de dor que sacudiu a comunidade copta – a mais numerosa do Oriente Médio, com 8 milhões de fiéis – não supera a raiva das pessoas nas ruas.

A reportagem é de Alberto Stabile, publicada no jornal La Repubblica, 04-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A polícia egípcia reforçou as medidas de segurança em frente a todas as igrejas em vista do Natal dos cristãos coptas, que cai no dia 7 de janeiro, uma sexta-feira que também é o dia de oração para a maioria muçulmana.

O patriarca copta, Shenouda III (foto), confirmou todas as celebrações: "Se não rezássemos, permitiríamos que os terroristas nos privassem da celebração do nascimento de Cristo".

As investigações sobre o massacre de Alexandria continuam. Segundo o canal Al Arabiya, foram identificados 15 estrangeiros que entraram no Egito antes do Natal. De um suspeito, foi preparado um retrato falado. Pouco antes das duas explosões, ele vestia uma jaqueta azul e uma camiseta clara. Os olhos estavam escondidos atrás de óculos de sol. O suicida teria procurado, em um primeiro momento, entrar na Igreja dos Santos para provocar o maior número de vítimas entre os fiéis. Depois, teria mudado de ideia, uma vez que viu os agentes dispostos para a segurança do lugar de culto, diante da entrada.

Nesse ponto, o terrorista – alguns restos teriam sido encontrados e se tentará identificá-lo com o teste de DNA – teria preferido esperar a saída dos fiéis da igreja e se explodir pelos ares na rua, sem correr o risco de ser detido.

Por trás do massacre do final de ano na Igreja copta está a mão da Al Qaeda. Apesar de ninguém ter reivindicado o massacre até agora, em uma página da Internet ligada à ala iraquiana da organização fundada por Osama bin Laden, despontou um elenco de igrejas coptas a serem atingidas durante as festividades natalícias. Objetivos não só no Egito, mas também em alguns países europeus, dentre os quais Grã-Bretanha, França e Alemanha. Nesses dois últimos países, os sacerdotes da comunidade copta denunciaram à polícia que receberam ameaças.

"O governo italiano se associa às palavras do Santo Padre", afirma em uma nota o presidente do Conselho, Silvio Berlusconi. "A imagem do rosto de Cristo sujo de sangue inocente na parede da Igreja copta de Alexandria do Egito não pode deixar indiferente quem tem responsabilidade de governo. Pretendemos prosseguir com a máxima determinação a ação para defender a liberdade religiosa de todas as fés e particularmente das comunidades cristãs, em qualquer parte do mundo".

Uma manifestação para comemorar as vítimas do atentado de Alexandria do Egito foi convocada para o próximo domingo, em Roma: "Não aceitarei jamais que representantes da comunidade muçulmana se unam a nós", diz o bispo da Igreja copta de Roma, Dom Barnaba el Soryany.

Violências contra os cristãos no mundo ocorreram também nesta segunda-feira: uma igreja ortodoxa foi incendiada na região de maioria muçulmana da Inguchétia, que faz fronteira com a Chechênia. Uma outra em Maiduguri, no norte da Nigéria, onde, nos últimos dias, outras igrejas foram objeto de ataques por parte de extremistas islâmicos, e seis pessoas perderam a vida.

 

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