Morreu Rada Kruschev, que se encontrou com João XXIII em 1963

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15 Agosto 2016

Rada Kruschev, filha do ex-líder soviético Nikita Kruschev, morreu em um hospital de Moscou. Ela tinha 87 anos.

Nascida em 1929, em Kiev, trabalhara como jornalista em várias publicações soviéticas. Seu nome está ligado, sobretudo, ao histórico encontro com o Papa João XXIII, no Vaticano, no dia 7 de março de 1963.

A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 14-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Roncalli a recebeu em audiências junto com o marido, Alexei Adjubei, também ele jornalista. Recordando aquele encontro, ela ressaltara como, "até o último instante", não sabia se realmente se encontraria com o pontífice: "O meu marido e eu estávamos presentes na entrega do Prêmio Balzan e, no término da cerimônia, fomos acompanhados à biblioteca onde o papa já estava lá nos esperando."

Assistidos por um tradutor, "entregamos a João XXIII uma carta do meu pai, que expressava apreço pelos seus esforços pela paz". E, "em resposta, o papa nos deu uma carta na qual manifestava a esperança de passos futuros para uma aproximação".

Com emoção, Rada Kruschev também lembrava como o Papa Roncalli havia destacado "as origens camponesas comuns com o meu pai", e também as dramáticas experiências comuns das duas guerras mundiais.

Depois, contava, comovida, "ele quis ouvir da minha voz os nomes dos meus três filhos: Alexei, Nikita – ‘como o avô’, disse o papa – e Ivan, ‘isto é, João, como eu’".

O pontífice presenteou um terço para a mulher e as medalhas cunhadas em recordação da ocasião do Concílio Vaticano II ao marido. "No fim, ele nos acompanhou até a porta – confidenciou Rada Kruschev –, e o que aconteceu depois é conhecido: mas, na realidade, o que João XXIII pretendia nos dizer, ele o expressou bem em breve, na encíclica Pacem in Terris".

Na edição de sexta-feira, 8 de março de 1963, justamente no fim do discurso do papa para o Prêmio Balzan, o jornal L'Osservatore Romano relatou a notícia do encontro do pontífice com "o senhor Alexei Adjubei, diretor do jornal Izvestia e sua esposa, que tinham manifestado o desejo de encontrar o Santo Padre".

Ao longo dos anos, tanto a filha de Kruschev quanto o marido continuaram mantendo laços estreitos com os protagonistas daquela época de diálogo corajoso e de compromisso com a paz. Em particular, com aqueles que se referem ao testemunho de Giorgio La Pira, que também deu origem a uma extensa correspondência com o líder soviético.

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