28 Mai 2026
A Caritas Jerusalém descreve um quadro dramático da situação sanitária e ambiental. "Desde o anúncio do cessar-fogo, estamos paralisados, tentando salvar vidas com os recursos disponíveis da Caritas."
A informação é de Daniele Rocchi, publicada por Sir e reproduzida por Religión Digital, 27-05-2026.
A trégua não põe fim à emergência humanitária na Faixa de Gaza. Após o apelo feito ontem pelo Papa Leão XIV para que a ajuda chegue à população, a Cáritas Jerusalém pinta um quadro dramático da situação sanitária e ambiental. "Desde o anúncio do cessar-fogo, estamos paralisados, tentando salvar vidas com os recursos que a Cáritas tem disponíveis", explicou Anton Asfar, Secretário-Geral da Cáritas Jerusalém, ao Sir, enfatizando como a falta de intervenções estruturais continua a colocar milhões de pessoas em risco.
Crise sistêmica
Nos últimos dois anos, o conflito desencadeou uma crise sistêmica que afeta todos os aspectos da vida cotidiana: casas destruídas, insegurança alimentar, acesso limitado à saúde, escolas fechadas e perda de meios de subsistência. A infraestrutura de água, saneamento e gestão de resíduos — enfatiza Asfar — está amplamente comprometida, enquanto a falta de recursos impede até mesmo a manutenção do que resta. O resultado é um contexto em que toda a população está exposta ao risco de epidemias, em um território marcado por danos ambientais sem precedentes ao solo, aos recursos hídricos e ao litoral.
Escassez de água
A crise hídrica é especialmente grave. “As reservas de água potável já são extremamente limitadas, enquanto a destruição dos sistemas de esgoto e o uso de soluções improvisadas contaminaram o aquífero do qual depende grande parte da população. As áreas marinhas também estão comprometidas”, observa o Secretário-Geral da Cáritas. “As consequências já são evidentes: as doenças infecciosas estão em ascensão, incluindo diarreia aguda — que aumentou 36 vezes — e casos de icterícia aguda relacionados à hepatite A.”
Poluição
A crise hídrica é agravada pela crise do lixo. "A Faixa de Gaza está afundando em lixo", relata Cáritas, explicando que, desde outubro de 2023, o colapso do sistema de gestão de resíduos transformou montes de lixo e entulho em focos de doenças. "Insetos e roedores estão proliferando e espalhando doenças graves, como hantavírus, leptospirose, salmonelose, febre da mordida de rato e peste, agravando ainda mais um sistema de saúde já à beira do colapso", destaca Asfar. A escassez de energia também está obrigando a população a queimar plástico para cozinhar, com graves consequências para o meio ambiente e a saúde. "O ar está cada vez mais poluído, as doenças respiratórias estão aumentando e dioxinas, substâncias altamente tóxicas e cancerígenas, estão sendo liberadas", denuncia o secretário-geral. No setor alimentício, a situação já é crítica. A destruição da vegetação atingiu níveis quase totais: "A Faixa perdeu 97% de suas árvores frutíferas, 95% de seus arbustos e 82% de suas culturas anuais, tornando impossível qualquer produção de alimentos em larga escala. Nesse contexto, mais de 500 mil pessoas enfrentam a fome."
Crianças amputadas
O conflito está deixando marcas profundas também nas populações mais vulneráveis. O número de pessoas com deficiência aumentou significativamente, afirma Asfar: “Pelo menos 41.844 pessoas feridas precisam de reabilitação a longo prazo, e cerca de 25% delas são crianças, o que significa mais de 10 mil menores com deficiências graves diretamente relacionadas à guerra. Infelizmente, Gaza tem o maior número de amputados entre crianças na história moderna”, diz o secretário da Cáritas. Nesse contexto, o acesso a cuidados e assistência está se tornando cada vez mais difícil. “Estamos lutando para levar ajuda e equipamentos médicos à Faixa de Gaza e sofremos com a escassez contínua de recursos, especialmente medicamentos”, relata a organização, reiterando a necessidade urgente de corredores humanitários eficazes e contínuos. A declaração da Cáritas ecoa o apelo do Papa, no qual ele pediu à comunidade internacional um compromisso concreto e duradouro para apoiar o povo de Gaza. Um pedido que, à luz dos dados, parece cada vez mais urgente: sem intervenções imediatas, a crise sanitária e ambiental corre o risco de se tornar uma catástrofe irreversível.
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