Manaus acolhe encontro do Projeto Cuidar da Vida, prevenção ao suicídio de adolescentes e jovens

Foto: Luis Miguel Modino

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18 Junho 2024

O Projeto Cuidar da Vida, prevenção ao suicídio de adolescentes e jovens, chega neste fim de semana a Manaus, onde 26 representantes dos Regionais Noroeste e o Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participam do segundo encontro dos seis em que a Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB está realizando em todo o Brasil. O primeiro foi em Cuiabá (MT), e depois deste de Manaus estão previstos mais quatro encontros em Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP).

A reportagem é de Luis Miguel Modino, 17-06-2024.

O projeto, criado por um grupo de 6 psicólogos e 1 suicidólogo, todos envolvidos na evangelização das juventudes, diante do aumento do suicídio entre adolescentes e jovens, até o ponto de ser a segunda causa de morte entre jovens de 18 a 29 anos, pretende capacitar Agentes de Pastoral acerca da Prevenção do suicídio com o intuito de formar líderes que possam, posteriormente, ser multiplicadores da formação de outras lideranças locais. O trabalho deve ser realizado nos ambientes em que os adolescentes e jovens se encontram.

Estamos diante de “um tema tão delicado, que é a questão da saúde mental de nossos adolescentes e jovens”, segundo o assessor da Comissão Episcopal para Juventude da CNBB, padre Antônio Gomes de Medeiros Filho, SDB. Segundo o salesiano, “já era uma situação desafiadora antes da pandemia da Covid19, e depois da pandemia da Covid19 se tornou um imperativo, tem preocupado muito nossos pastores essa questão da saúde mental, e então, a partir de um grupo de um grupo de trabalho de psicólogos, suicidólogos e pastoralistas nasce o Projeto Cuidar da Vida”.

Foto: Luis Miguel Modino.

O encontro que está sendo realizado em Manaus neste fim de semana “vai tentar ajudar as pessoas que estão participando a identificar em seus trabalhos alguns sinais desta situação, pessoas que estejam com a saúde mental fragilizada, numa perspectiva de decorrência para a questão da tentativa de suicídio e perceber também toda uma rede de apoio que deve se gerar em torno das pessoas”, segundo o assessor da CNBB. Ele insistiu em “identificar nos poderes públicos a questão da importância de uma rede de apoio para os jovens. Nessa busca, a gente quer ajudar nossos agentes de pastoral a entrar nessa dinâmica também”.

A organização das comunidades é vista pelo padre Antônio Gomes como um desafio grande, tendo em vista que “a gente possa ter uma qualidade de vida melhor”. Diante do aumento do suicídio, o assessor fala de questões sociais e estruturais na sociedade brasileira, marcada por “desigualdades gritantes no nosso país”, ressaltando a “separação entre empobrecidos e gente que se enriquece”, o que demanda “sonhar com um mundo melhor, um mundo mais igualitário, mais fraterno, mais solidário”.

Geslane Dourado é uma jovem da Pastoral da Juventude da diocese de Roraima. Ela considera importante o curso dada a ansiedade e dado depressão que sofrem muitos jovens hoje. Ela reconhece que “ainda é um tabu falar sobre a questão da saúde mental”. Afirma que “trabalhar essas questões com as juventudes é bom porque são os principais públicos que são afetados com relação a isso, e aí muitos jovens se sentem sozinhos e acabam se suicidando”, dentre eles jovens que participam da Igreja, insistindo em trabalhar na prevenção.

A jovem diz conhecer jovens que tentaram suicídio e que hoje se encontram num estado de saúde melhor. Inclusive amigos de amigos próximos dela que já se suicidaram, “jovens que a gente menos espera, que estão dentro da caminhada pastoral, que estão conversando com a gente ali, que a gente pensa que está tudo bem, mas que no fundo a gente não conhece como está a saúde de todos”.

A Irmã Zaira Borges, das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que faz parte da coordenação de pastoral da arquidiocese de Porto Velho (RO), considera que “é um tema muito gritante a saúde mental dos nossos adolescentes e jovens, e tem sido esse grito dentro dos nossos grupos, da sociedade como um todo”. A religiosa ressalta que “depois da pandemia parece que aflorou ainda mais a questão do suicídio, da saúde mental”, considerando “pertinente buscar mais recursos sobre a temática e prevenir para que os nossos jovens e adolescentes não acabem entrando também nessa situação”.

Isso demanda, afirmou, que nas bases aumente o número de “multiplicadores, pessoas que conheçam sobre a temática para estar repassando para as comunidades e depois buscar ajuda”, indicando essa ajuda para as pessoas que sofrem adoecimento mental.

Ao longo do minicurso será abordada a questão da prevenção do suicídio, definindo o que é o suicídio; os mitos e tabus; os dados atuais; os fatores de risco: violência física, homofobia, bullying, cyberbullying, ansiedade, depressão; a doutrina eclesial e o suicídio; ações preventivas: fortalecimento de redes; importância da espiritualidade. No programa também aparece a questão do posvenção, as tentativas não concretizadas e concretizadas (luto), sequelas físicas, depressão, recorrência; lidar com quem sofre: família, o grupo de jovens, colegas da escola.

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