Risco iminente de destruição dos sítios arqueológicos do povo Xavante

Foto: Agência Brasil

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26 Abril 2022

 

Gostaríamos de chamar sua atenção para a situação de risco iminente de destruição dos sítios arqueológicos do povo Xavante.

 

A reportagem é de Paulo Tavares, da Agência Autônoma, 19-04-2022.

 

Recentemente, o sítio arqueológico da grande e mítica aldeia Tsõrepré, o mais antigo assentamento originário de toda a nação Xavante, foi completamente desfigurado por latifundiários para abrir caminho para plantações de soja e o projeto da rodovia BR-080.

 

Mapeamento da desfiguração do sítio arqueológico da antiga aldeia Tsõrepré, ocorrido entre agosto e setembro de 2019. (Foto: Divulgação | Agência Autônoma)

 

Existem vários outros sítios arqueológicos espalhados por todo o território ancestral Xavante, atual leste do estado de Mato Grosso. Muitos encontram-se fora de terras indígenas demarcadas, e nenhum deles é reconhecido como patrimônio pelo Estado brasileiro.

Assim, estão sob risco de serem destruídos a qualquer momento pelo avanço da fronteira do agro na região. Sítios arqueológicos de importantes aldeias originárias como Bö’u e Tsõrepré já foram severamente desfigurados.

 

Identificação da "pegada" histórica de antiga aldeia Xavante através de modelagens digitais e imagens de satélite. (Foto: Divulgação | Agência Autônoma)

 

Frente à destruição de Tsõrepré, protocolamos um requerimento para que o IPHAN reconheça estes sítios como bem patrimonial, com vista a protegê-los e preservar a memória do povo Xavante em sua materialidade arqueológica, territorial e paisagística.

Em anexo, enviamos para sua apreciação um conjunto de materiais referentes ao caso, a fim de chamar atenção pública para a reinvindicação do povo Xavante, e incentivar instituições e indivíduos na mobilização pelo reconhecimento patrimonial destes sítios arqueológicos, significativos tanto para os Xavante quanto para a sociedade nacional como um todo.

Acesse a plataforma do requerimento ao IPHAN aqui.

Este requerimento legitima-se como ação reparatória pelas graves violações de direitos humanos e territoriais cometidas contra as comunidades Xavante pelo Estado brasileiro, violações que atravessam gerações, desde o período colonial até a ditadura militar, atingindo as atuais discussões sobre a “tese do marco temporal”.

 

 

Modelagem digital-arqueológica do sítio da aldeia e cemitério de Tsinõ, última aldeia habitada pelos Xavante de Marãiwatsédé antes da deportação da comunidade operacionalizada pela FAB em 1966. (Foto: Divulgação | Agência Autônoma)

 

Nota

 

Esta investigação foi realizada pela autônoma, laboratório de direitos humanos sediado na Universidade de Brasília. Utilizando-se das ferramentas do design e novas mídias, investigamos casos de violações de direitos em contextos urbanos e territoriais, apoiando entidades e movimentos civis em busca por justiça, verdade e reparação.

Acesse o livro Memória da Terra, publicado pelo Ministério Público Federal, clicando aqui.

 

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