Paraguai. Igreja responsabiliza o governo por milhares de mortes pela covid-19

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10 Dezembro 2021

 

Dom Ricardo Valenzuela fez duras críticas pela gestão da pandemia. Ele também pediu para que se aplique a lei aos que enriqueceram com o dinheiro da saúde arriscando a vida do povo.

 

A reportagem é publicada por Ultima Hora, 09-12-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

A praça da Basílica Santuário de Caacupé voltou a lotar de devotos marianos depois de um ano de pausa pela covid-19. Dom Ricardo Valenzuela, bispo de Caacupé, instou ontem ao povo paraguaio para “organizar a esperança” depois da pandemia e responsabilizou o governo pelas milhares de mortes que o vírus deixou em razão da “desídia, da negligência e da corrupção”.

O religioso compartilhou suas críticas e reflexões no marco da missa central pela festa da Virgem dos Milagres de Caacupé, ocasião na qual leu sua terceira carta dirigida ao povo paraguaio sob o título “Organizar a esperança”, expressão tomada da homilia do Papa Francisco, na missa da V Jornada Mundial dos Pobres, celebrada na Basílica de São Pedro.

Para o bispo, se a reação governamental tivesse sido mais acertada e “não tão frágil” para enfrentar eficientemente o problema da pandemia, muitos dos compatriotas que faleceram tiram sido salvos ou vivido mais tempo.

Ante algumas autoridades nacionais e a chamativa ausência do presidente da República, Mario Abdo Benítez, dom Valenzuela recordou que a razão de ser da autoridade é a de servir ao povo e que este tem o direito a esperar que terminem definitivamente as mortes “por desídia, negligência e corrupção no setor da Saúde Pública”.

Mesmo assim, reprovou que na pandemia “somente gozassem de boa saúde” aqueles que adjudicaram quase todas as licitações e compras de emergência superfaturadas. Considerou necessária a aplicação da lei aqueles que infringiram para ficar com a maior parte do orçamento da Saúde em plena crise sanitária.

“Basta de mesquinharia, basta acumulação excessiva de dinheiro e dos recursos em poucas mãos! Que tem sua contraparte na exclusão de muitos. Recordarão todos que, no início da pandemia, com o susto natural, fizeram-se muitas e lindas promessas de reforma; a maioria delas ficaram no esquecimento”, disse.

 

Saúde pública

 

Independente da crise sanitária pela covid-19, o bispo de Caacupé recordou que o Estado tem uma dívida social com a saúde pública para a atenção às pessoas carentes e insistiu que a saúde pública deve ser universal.

Na sequência das críticas da opinião pública, Valenzuela reprovou as altas autoridades do Estado, porque em vez de recorrerem aos serviços públicos de saúde, gastaram o dinheiro do povo em planos privilegiados da medicina privada, “como se naturalmente tivessem mais direitos do que o público”. “Isso é injusto”, lamentou.

Levando em conta que as pessoas perderam muito e que ainda vivem a dor dessa perda e na incerteza do amanhã, dom Valenzuela, seguindo a exortação do Papa no Dia Mundial dos Pobres, pediu aos leigos para “organizar a esperança

Para cimentar essa esperança, será necessário que políticos e governos deixem de lado o sectarismo, os privilégios, às vezes exagerados, riquezas ilícitas, e “trabalhem pelo bem comum” buscando adequar o modelo econômico do país a um de rosto humano.

''Temos a obrigação de organizar a esperança no Paraguai para deixar para trás os efeitos da pandemia e acabar com a epidemia nacional de impunidade, porque a corrupção também mata, embora para isso não adquira uma forma semelhante à covid-19”, ele apontou.

“Se as instituições pertinentes se declararem incompetentes para curar a corrupção, é dever primeiro dos governos e depois da responsabilidade dos cidadãos encontrar uma forma de erradicar este mal”, disse o sacerdote.

Dom Valenzuela também se referiu em sua carta aos fiéis à terrível situação da educação pública. Ele expressou preocupação com a violência imperante e relembrou os sequestrados pelo Exército do Povo Paraguaio.

 

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