Trabalhando para dar às mulheres um papel maior na Igreja Católica

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18 Junho 2021

 

Catherine Ulrich, da Suíça, se esforça há dois anos no seu país para promover o papel da mulher na Igreja.

A reportagem é de Youna Rivallaim, publicada por La Croix International, 17-06-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Eu não estou brava”, diz Catherine Ulrich. “Eu apenas quero mudar as coisas”.

Ulrich trabalha para a Diocese de Lausanne, Genebra e Friburgo (LGF) na Suíça e é membro da Rede de Mulheres na Igreja.

Ela é uma das figuras do movimento de mulheres católicas de língua francesa que estão chamando por mais poder de decisão dentro da Igreja.

No início de tudo com um grupo de discussão sobre abuso de poder na forma de atitudes sexistas na diocese LGF.

Na Rede de Mulheres na Igreja, funcionárias diocesanas e voluntárias proveem apoio uma a outra.

“Algumas vezes, esses não são ataques explicitamente sexistas pelos padres. Mas como a maioria das pessoas que ensinam o catecismo são mulheres, nós é que recebemos o peso disso”, disse Ulrich.

“Estávamos cansadas de que, independente do que fizéssemos, sempre houvesse um homem acima de nós na hierarquia para mudar nossas decisões”, ressalta.

 

Falta de diversidade na Igreja

Ulrich esteve envolvida na grande diocese suíça desde 2001, primeiro como voluntária e depois como funcionária em vários cargos.

“Nosso grande problema é a falta de complementaridade para os padres, que moram sozinhos em suas reitorias”, argumenta.

Ela deplora as situações em que as pessoas consagradas se mantêm fechadas, falam apenas entre si e rezam apenas entre si.

Entre os vários vetores de seu compromisso por mais mulheres em cargos de decisão está o desejo de que os padres sejam confrontados mais com pessoas diferentes deles, para ajudar os dois grupos a crescer.

Até dois anos atrás, Ulrich gravitava apenas em torno desse grupo de discussão.

Mas então, em 14 de junho de 2019, uma greve nacional massiva pelos direitos das mulheres foi organizada na Suíça.

Isso estimulou ela e outras pessoas da Rede de Mulheres na Igreja a intensificarem seus esforços.

Protestantes em Genebra organizaram uma greve sob o lema “Quelle place pour les femmes dans l'Église?” (“Qual é o lugar para as mulheres na Igreja?”, em tradução livre) e convidaram Ulrich e suas companheiras a se juntar.

Elas concordaram.

Os membros da Rede de Mulheres na Igreja sentaram-se ao redor de uma mesa para pensar sobre suas demandas.

“Sem tocar na questão do ministério, da ordenação ou mesmo do diaconato, queríamos ter demandas concretas que pudessem mudar as coisas, sem esbarrar no direito canônico”, lembra Ulrich.

As mulheres concordaram e pediram para ter mais responsabilidade e poder de decisão dentro da Igreja.

Elas também denunciaram o clericalismo e a falta de diversidade, tão frequentemente observada por Ulrich.

 

“Uma revolução a caminho”

Dois anos depois, ela acolhe o progresso feito por sua diocese e a Igreja Católica suíça.

Dom Charles Morerod, de Lausanne, Genebra e Friburgo apenas neste último maio substituiu seus vigários episcopais por leigos. Duas mulheres estão entre as novas nomeadas.

“Portas tem sido abertas nos diferentes níveis. Essa é uma revolução a caminho”, disse Ulrich.

“Eu não sei se ele trabalhará, mas há um desejo real para mudar o sistema”, acrescentou.

Uma greve pelos direitos das mulheres ocorreu no último mês de setembro, na Suíça.

E poucos meses depois, a Conferência dos Bispos da Suíça discutiram o lugar das mulheres em uma sessão de grupo de trabalho chamada, “No caminho da renovação da Igreja na Suíça”.

Treze mulheres e 13 bispos de língua francesa e alemã da Suíça participaram.

O grupo de trabalho continuar a se encontrar e está preparando o trabalho com as universidades.

Enquanto o bispo Morerod, diz Catherine Ulrich, está as escutando.

Mas ela rapidamente aponta que a mudança não pode vir apenas dos padres e bispos.

“Não são os padres e bispos que precisam mudar, mas todos nós devemos entender que uma mulher é legitimada apenas por homens nessa posição de responsabilidade. Nosso objetivo é chegar a uma Igreja que cumpre o que diz”.

 

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