Governo francês suspenderá aumento dos combustíveis para conter protestos

Manifestação dos "gilets jeunes", os coletes-amarelos, em Belfort, região da Borgonha, no Leste da França. Foto: Thomas Bresson | Flickr

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04 Dezembro 2018

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, vai anunciar uma moratória do aumento dos impostos sobre os combustíveis, previsto para 1.º de janeiro, para tentar acalmar os protestos dos "coletes amarelos", informaram fontes do governo. A moratória de vários meses será acompanhada por outras medidas de apaziguamento, indicaram as fontes.

A informação é publicada por O Estado de S. Paulo, 04-12-2018.

Édouard Philippe anunciará as medidas decididas na segunda-feira durante uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron e com os deputados do partido A República em Marcha (LREM). Fontes oficiais também confirmaram o cancelamento de uma reunião prevista para esta terça-feira, 4, entre alguns representantes dos "coletes amarelos" e o premiê.

O novo delegado geral do LREM, Stanislas Guerini, havia solicitado publicamente uma moratória do aumento dos impostos sobre os combustíveis para "apaziguar o país". "Acredito que seria saudável, acredito que é necessário apaziguar o país", afirmou Guerini, que admitiu ter mudado de opinião sobre o tema.

Desde o dia 17 de novembro a França é cenário de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, organizados pelo movimento dos "coletes amarelos".

As manifestações de sábado terminaram com atos de violência nas ruas de Paris e outras cidades, com carros, lojas, uma praça de pedágio em uma rodovia e a sede de uma prefeitura incendiados.

Na segunda-feira, a mobilização ganhou a adesão de estudantes do ensino médio. Associações de agricultores anunciaram protestos na próxima semana.

Apesar da violência, 72% dos franceses apoiam os "coletes amarelos", que ampliaram as reivindicações e passaram a exigir aumento dos salários e das pensões, além de maior justiça fiscal, segundo uma pesquisa do instituto Harris Interactive.

Quatro pessoas morreram em incidentes relacionados aos protestos. A vítima mais recente foi uma mulher de 80 anos que não resistiu aos ferimentos sofridos após o lançamento de uma bomba de gás lacrimogêneo em Marselha.

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