Benetton sob fogo por usar refugiados do Aquarius em anúncio

Foto: Kenny Karpov/SOS Mediterranee/ Médicos Sem Fronteira

Mais Lidos

  • Apenas algumas horas após receber um doutorado honorário da UAB, essa importante voz da teoria feminista analisa as causas e possíveis soluções para a ascensão do totalitarismo

    “É essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.” Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS
  • É divulgado o relatório do Grupo de Estudos do Sínodo sobre questões LGBTQ+; novas formas de resposta do ministério

    LER MAIS
  • O Sínodo apela a "uma mudança paradigmática na forma como a Igreja aborda as questões doutrinais, pastorais e éticas mais difíceis", como as que dizem respeito aos fiéis LGBTQIA+

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Junho 2018

“Não sou vendedor, não quero fazer publicidade, quero ser testemunha da minha era”, defende o criador de algumas das campanhas mais polêmicas da marca italiana.

A reportagem foi publicada por Público, 20-06-2018.

Já conhecida pela publicidade provocadora, a marca de roupa italiana United Colors of Benetton lançou uma campanha com imagens dos refugiados resgatados pelo navio Aquarius – que chegaram ao porto de Valência no domingo, depois de terem sido recusados por Itália e por Malta. “A tragédia humana em causa no Mediterrâneo nunca deve ser usada para fins comerciais”, condenou a ONG franco-alemã SOS Méditerranée, envolvida nas operações de resgate.

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini – que tem ele próprio estado envolvido em polêmica, por querer fazer o recenseamento dos ciganos em Itália e por querer expulsar e deter os imigrantes no país –, partilhou no Twitter a publicidade da Benetton e perguntou: “Sou só eu que acho isto repugnante?”.

E obteve resposta do conhecido fotógrafo da Benetton, Oliviero Toscani, responsável por grande parte das campanhas da marca. “Veja, não é repugnante, é dramático. Infelizmente muitos não entendem o que está a acontecer. O facto de um negacionista como você criticar esta ação faz com que me aperceba de que estou correto.”

As duas fotografias, que mostram os migrantes com coletes salva-vidas e em fila à espera de auxílio, foram partilhadas pela Benetton no início da semana nas redes sociais, tendo merecido críticas por parte de outros utilizadores; a acompanhar as duas imagens está a icônica etiqueta verde com o nome da marca italiana. Como explica a organização humanitária, estas fotografias foram tiradas a 9 de Junho, quando as equipas estavam a “socorrer pessoas em dificuldade” em alto mar, depois de terem naufragado ao largo da costa líbia.

A SOS Mediterranée, que socorreu os 629 migrantes, ressalva que não tem qualquer ligação com a campanha publicitária e vinca que “a dignidade dos sobreviventes deve ser respeitada em todas as ocasiões”. Além disso, critica ainda a iniciativa dos fotógrafos de disponibilizarem estas fotografias à marca italiana. Uma das fotografias foi tirada por Kenny Karpov e outra por Orietta Scardino, da agência de notícias italiana Ansa.

O jornal contatou a Benetton para saber quais os critérios que levaram à escolha destas imagens e questionou também se a empresa apoia financeiramente estas causas sociais, mas não obteve resposta até ao momento.

Este tipo de campanhas da Benetton, associado ao dilema de saber se ajudam a sensibilizar para questões sociais ou se se aproveita destas crises para lucrar, já tem dado que falar no passado, em grande parte devido a Oliviero Toscani.

Exemplo disso é a fotografia do ativista David Kirby no leito da morte, de líderes políticos a beijarem-se, ou da roupa ensanguentada de um soldado bósnio morto na guerra. “Não sou vendedor, não quero fazer publicidade, quero ser testemunha da minha era”, adiantou Toscani ao diário italiano La Tribuna di Treviso.

Leia mais