Usar o véu não é sinal de liberdade. Artigo de Dacia Maraini

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22 Março 2017

“Essa cobertura, mesmo que só da cabeça, tem um valor emblemático de negação e de censura. Cubra-se, senão você desperta o desejo masculino.”

A opinião é da escritora e poetisa italiana Dacia Maraini, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 21-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Discute-se sobre o véu: usá-lo é um sinal de liberdade? Quanto são livres as mulheres muçulmanas ao não usá-lo?

Eu gostaria de observar que, se uma peça de vestuário torna-se um símbolo, esse indumento faz parte de um uniforme. Aquela cabeça coberta e enfaixada quer dizer para aqueles que se cruzam com ela na rua: eu sou muçulmana.

A frase mais comum que se ouve é esta: toda mulher é livre de se vestir como quiser. Mas, do véu ao burca, não me parece que uma cristã o use. Portanto, trata-se de uma declaração de fé.

Que está muito bem. Mas não se diga que toda mulher é livre de se vestir como quiser. Se ela faz parte de uma comunidade de crentes, deverá se cobrir para seguir as regras dessa comunidade de pertença.

Depois, naturalmente, há aquelas que se maquiam, aquelas que colocam o véu sem esconder totalmente os cabelos, mas o símbolo permanece.

Se se perguntar a um muçulmano observante por que as mulheres usam o véu, a resposta, clara demais até, é: para não induzir os homens em tentação. Essa cobertura, mesmo que só da cabeça, tem um valor emblemático de negação e de censura. Cubra-se, senão você desperta o desejo masculino. Apenas diante do marido, ou seja, do proprietário desse corpo, é que a mulher pode se mostrar em toda a sua plenitude.

Que fique claro: eu não tenho nada contra o véu e quem o usa, mas não digamos que se trata de uma escolha livre e que expressa a autonomia das mulheres. O véu é um sinal de submissão, quer ele seja escolhido ou não.

As freiras também o usam, dizem-se, mas, justamente, também nesse caso se trata de declarar o pertencimento a uma ordem religiosa.