O arquivo do mártir jesuíta Ignacio Ellacuría, patrimônio da América Latina

Mais Lidos

  • O Papa Leão XIV faz um pedido de desculpas histórico pelo papel da Santa Sé na legitimação da escravidão

    LER MAIS
  • Pesquisadores comentam a primeira encíclica de Leão XIV

    Magnifica Humanitas. Limites, possibilidades, perspectivas. Algumas análises

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Novembro 2015

"Patrimônio documental" da América Latina: assim a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) declarou o arquivo do mártir jesuíta Ignacio Ellacuría, assassinado em El Salvador em 1989, segundo o Museo de la Palabra y la Imagen (Mupi).

A reportagem é da agência Misna, 19-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O documento que certifica a declaração foi entregue pelo delegado do comitê regional para a América Latina e o Caribe do programa "Memória do Mundo" da Unesco e diretor do Mupi, Carlos Henríquez Consalvi, ao reitor da Universidade Centro-Americana (UCA), padre Andreu Oliva, cujo antecessor foi Ellacuría.

Ellacuría – disse Consalvi – "é reconhecido internacionalmente pelas suas contribuições à teologia e à filosofia, e pelo papel desempenhado na busca de uma saída negociada para a guerra civil salvadorenha" (1980-1992), que custou no mínimo 75.000 mortos e foi precedida pela morte de Dom Óscar Arnulfo Romero, homicídio considerado a faísca que desencadeou o conflito.

O arquivo contém "documentos únicos e insubstituíveis de fontes primárias para estudar o pensamento de Ignacio Ellacuría e a sua aplicação para a solução dos graves problemas que enfrentamos em El Salvador", disse ainda Consalvi, rememorando o aniversário do assassinato do reitor da UCA e de outros cinco coirmãos dele.

No dia 16 de novembro de 1989, em plena guerra civil (1980-1992), os soldados do batalhão antiguerrilha Atlácatl, treinado nos Estados Unidos, invadiram a UCA, assassinando o reitor, os coirmãos espanhóis Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e o salvadorenho Joaquín López, além da cozinheira Elba Julia Ramos e da sua filha de 15 anos, Celina Mariceth Ramos.

Inicialmente, o governo tentou atribuir a responsabilidade do massacre aos guerrilheiros da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), hoje o partido no poder do país.