O Papa exalta o papel da mulher paraguaia

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Por: André | 13 Julho 2015

“Quero reconhecer com emoção e admiração o papel desempenhado pela mulher paraguaia nesses momentos dramáticos da história. Sobre seus ombros de mães, esposas e viúvas, carregaram o maior peso, souberam cuidar de suas famílias e do seu País, infundindo nas novas gerações a esperança em um amanhã melhor”. Assunção, onde se alternam mais rapidamente o sol, a chuva, a estiagem e as tempestades, é uma capital em festa. Uma grande multidão saiu às ruas para acolher o Papa Francisco, na última etapa da sua viagem à América Latina. Depois da alegre acolhida no aeroporto, com danças e cantos em língua guarani, Bergoglio chegou à cidade. Sua primeira visita foi ao pátio de uma prisão feminina.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 11-07-2015. A tradução é de André Langer.

Depois do encontro com o presidente Horacio Cartes, que foi recebê-lo no aeroporto, Francisco fez seu primeiro discurso às autoridades do país, no palácio presidencial. E em uma passagem de seu discurso exaltou o papel da mulher paraguaia.

Durante o voo de volta da JMJ do Rio de Janeiro, em julho de 2013, ao responder a uma das perguntas dos jornalistas, disse: “Não se pode entender uma Igreja sem mulheres, mas mulheres ativas na Igreja, não? Com seu perfil, levam-na adiante”. O Papa continuou com um exemplo que “não tem nada a ver com a Igreja, mas é um exemplo histórico: na América Latina”. Bergoglio, referindo-se à situação pós-guerra de 1870, ao final de um sangrento conflito com o Brasil, a Argentina e o Uruguai, que durou seis anos, disse: “Ficaram, depois da guerra, oito mulheres para cada homem, e estas mulheres tomaram uma decisão um pouco difícil: a decisão de ter filhos para salvar a pátria, a cultura, a fé e a língua. Na Igreja, devemos pensar na mulher nesta perspectiva: de decisões arriscadas, mas como mulheres”.

Em seu discurso, o Papa quis “render tributo a esses milhares de paraguaios simples, cujos nomes não aparecerão nos livros de história, mas que foram e continuarão sendo verdadeiros protagonistas da vida do seu povo”. Recordou a importância da memória, porque um povo “que esquece seu passado, sua história, suas raízes, não tem futuro”. Explicou que justamente a memória, “assentada firmemente sobre a justiça, afastada de sentimentos de vingança e de ódio, transforma o passado em fonte de inspiração para construir um futuro de convivência e harmonia, tornando-nos conscientes da tragédia e da loucura da guerra”.

Francisco também citou a história recente do país, que saiu, em 1989, de 35 anos de ditadura, e convidou à paz e à reconciliação: “Nunca mais guerras entre irmãos! Construamos sempre a paz! Também uma paz do dia a dia, uma paz da vida cotidiana, da qual todos participam evitando gestos arrogantes, palavras que ferem, atitudes prepotentes e fomentando, ao contrário, a compreensão, o diálogo e a colaboração”.

Também aqui, como no Equador e na Bolívia, Francisco insistiu na importância do diálogo, em particular na vida pública, favorecendo a cultura do encontro e o reconhecimento das opiniões alheias: “Não devemos nos deter no conflitivo; é um exercício interessante decantar no amor à Pátria e ao povo toda perspectiva que nasce das convicções de uma opção partidária ou ideológica. E esse mesmo amor deve ser o impulso para crescer cada dia mais em gestões transparentes e que lutam impetuosamente contra a corrupção”.

O Papa indicou que o processo democrático que o país está vivendo é “sólido e estável” e convidou para perseguir o caminho empreendido, consolidando “as estruturas e instituições democráticas que deem respostas às justas aspirações dos cidadãos. A forma de governo adotada em sua Constituição, “democracia representativa, participativa e pluralista”, baseada na promoção e no respeito aos direitos humanos nos afasta da tentação da democracia formal que, Aparecida definia como aquela que se “contentava em estar fundada em procedimentos eleitorais honestos”.