Juventudes e cultura de paz em debate

Momento do debate, após exibição de vídeo da série ‘Lutas.doc’ (Foto: Paula Nishizima)

Mais Lidos

  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Qual é o pior momento do ateu? Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS
  • Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove evento em memória ao centenário do agrônomo e ambientalista brasileiro nesta quinta-feira, 20-08-2026, às 17h30min

    José Lutzenberger, 100 anos. Da Borregaard às enchentes: os alertas ignorados

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: Paula Nishizima | 14 Novembro 2017

Juventudes e cultura de paz foi o tema responsável por reunir os(as) adolescentes e jovens participantes do ciclo de encontros Juventude e Democracia, na noite da última quinta-feira (09/11), na biblioteca do Colégio Estadual Polivalente, no Boqueirão, em Curitiba (PR). A atividade é promovida pelo CEPAT.

A oficina foi mediada pelos(as) educomunicadores(as) do coletivo Parafuso Educomunicação, e iniciou com uma chuva de ideias com base no questionamento principal “O que é preciso para termos uma cultura de paz?”. A partir daí, surgiram falas sobre respeito à diversidade, às mulheres e educação inclusiva, além de terem sido problematizadas questões como a importância de se colocar no lugar do outro, a desmilitarização das polícias e o diálogo interreligioso.

A violência na história do Brasil

Durante a atividade, também foi exibido um trecho do primeiro episódio da série Lutas.doc, produzida pela Buriti Filmes e Gullane em coprodução com a TV Brasil. O vídeo (intitulado Guerra sem fim?) traz falas de especialistas, trechos de filmes nacionais e recursos de animação para relembrar conflitos históricos e desconstruir a ideia do povo brasileiro como pacífico e cordial. A partir disso, são apontadas contradições na maneira como os(as) brasileiros(as) se relacionam no dia a dia, tanto reproduzindo uma violência histórica quanto buscando amenizá-la por meio da linguagem.



Com base no material, foram discutidas as consequências desse cenário em diferentes níveis, especialmente para a juventude. Em meio a um contexto de violência urbana, a maioria das vítimas de homicídio no Brasil são homens jovens e negros, como aponta o vídeo Queremos ver os jovens vivos, da Anistia Internacional, que também foi exibido na atividade. Outro ponto comentado durante a oficina foi a criminalização da juventude de periferia, traduzida na frequência com a qual adolescentes e jovens de bairros periféricos são abordados em batidas policiais.



Além disso, a maneira que nos relacionamos e os julgamentos que fazemos de grupos sociais distintos também podem carregar consigo uma violência simbólica, que contribui para a ideia de que determinados grupos são mais importantes que outros. “A violência influencia muito o jovem, porque é bem provável que ele(a) faça o que viu quando era mais novo(a)”, comenta Israel Rocha, de 20 anos, que participou da atividade.

Durante a conversa, os(as) jovens foram incentivados a pensarem sobre se e como reproduzem uma comunicação violenta no dia a dia. Sugiram falas a respeito de brincadeiras e apelidos que são usados entre amigos em momentos de descontração, mas que acabam refletindo um determinado tipo de discriminação. “O principal impacto seria esse ‘método de demonstração’, que leva nós, jovens, a praticar (a violência), mesmo que seja sem querer”, explica João Vitor Campos, de 18 anos, participante da oficina.

A comunicação no enfrentamento à violência

Ao término da oficina, os(as) participantes foram incentivados a produzir algum tipo de conteúdo com base na temática do encontro, como forma de alcançar outras pessoas a partir desse diálogo inicial. Alguns(mas) se propuseram a produzir pequenos jogos (como caça-palavras e palavras cruzadas), um rap e uma paródia. “Por muitos anos, não combati a violência, mas sempre ajudei as vítimas. Para combater a cultura da violência, movimentos devem ser feitos, pessoas devem falar, devem compartilhar”, reflete João Vitor Campos.

Leia mais