Mortes de ambientalistas dobram em 2025 e geógrafo comenta: ‘Assassinato seletivo’

Foto: Vinícius Mendonça / Ibama

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17 Setembro 2026

Wagner Ribeiro analisa relatório segundo o qual 85% dos homicídios de defensores da natureza ocorrem na América Latina.

A reportagem é de Larissa Bohrer, Lucas Salum e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 16-09-2026.

A América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos de defensores da natureza e do meio ambiente em 2025. Só no Brasil, 26 pessoas foram mortas no ano passado por resistirem à invasão de suas terras e florestas, segundo dados do relatório anual da Global Witness. O número é o dobro do registrado no ano anterior.

O colunista Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), destaca que há, pelo menos, 15 anos, o Brasil é o vice-campeão de assassinatos de ambientalistas, perdendo apenas para a Colômbia.

"Eu chamo de assassinato seletivo, porque não se mata qualquer pessoa. Se mata a pessoa que está impedindo ações ilegais, voltadas a ocupações de terras de forma ilegal, impedindo o avanço da mineração, contra a agricultura predatória. É disso que se trata", afirma ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Para Ribeiro, o assassinato de Chico Mendes e a repercussão global que o caso teve acabaram fazendo com que esse debate viesse a público. "Temos no Brasil uma vasta e triste eliminação de ambientalistas que estão afrontando claramente interesses dos setores do agronegócio e da mineração", reforça.

Segundo ele, é preciso cobrar do Estado brasileiro a apuração desses casos. Ribeiro também observa que, com todo o debate eleitoral desviado para o contexto do STF, as propostas ambientalistas ficam de lado.

Wagner Ribeiro também comenta o avanço do garimpo com apoio de facções criminosas em terras indígenas. Uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que a área ocupada pelo garimpo aumentou 562% entre 2016 e 2024.

O geógrafo observa que há formas de realizar mineração sem degradar áreas e até tecnologias para recuperar áreas degradadas. "Há práticas adequadas vinculadas à chamada boa engenharia e, com isso, você evita, por exemplo, a mineração em terras indígenas", explica. Mas, segundo Ribeiro, a ganância fala mais alto. "Alguns capitalistas perderam completamente a medida e estão partindo para o ilícito mesmo, porque a ganância e o desejo de ganhar são muito rápidos, uma coisa que tem que ser acelerada e num ritmo absolutamente avassalador, que não respeita nenhum tipo de salvaguarda ambiental do interesse geral da sociedade brasileira", reforça.

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