Cardeal McElroy alerta que a IA transformará o trabalho e afirma que os trabalhadores devem ter voz

Foto: Pexels/Canva

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10 Setembro 2026

À medida que a inteligência artificial acelera as mudanças no ambiente de trabalho, o cardeal-arcebispo Dom Robert McElroy afirmou que a transformação vindoura do trabalho levanta uma questão fundamental sobre o futuro do trabalho humano.

A reportagem é de Nicole Olea, publicada por OSV News e reproduzida por National Catholic Reporter, 08-09-2026.

"Ainda haverá trabalho significativo para fazer?", perguntou o arcebispo de Washington durante sua homilia na missa do Dia do Trabalho, celebrada em 6 de setembro na Catedral de São Mateus Apóstolo, em Washington.

"E a resposta para isso é: Ninguém sabe", disse ele.

A missa, organizada pela Rede Católica do Trabalho e celebrada um dia antes do feriado federal do Dia do Trabalho, reuniu paroquianos, trabalhadores e representantes de sindicatos para uma celebração centrada na dignidade do trabalho humano, na justiça econômica e nos direitos dos trabalhadores.

As orações dos fiéis incluíram preces por aqueles que não conseguem encontrar trabalho, pessoas que enfrentam condições inseguras ou salários inadequados, trabalhadores da agricultura, da indústria e do serviço público, e líderes sindicais que representam os trabalhadores.

McElroy iniciou sua homilia refletindo sobre a leitura bíblica da missa, extraída do Livro do Gênesis, e dizendo aos fiéis que o mundo criado é um dom de Deus confiado à humanidade, e que as pessoas participam de seu desenvolvimento contínuo por meio do trabalho.

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"Quando somos trabalhadores, somos cocriadores com Deus", disse ele.

O cardeal descreveu o trabalho como uma forma de as pessoas participarem da criação, contribuírem para suas comunidades e expressarem algo de si mesmas, mesmo quando o trabalho em si pode ser difícil.

"O trabalho nos é dado como uma forma de autoexpressão, de uma necessidade nossa, da nossa necessidade humana, de criar, de contribuir, de construir aqui nesta terra", disse ele.

Existe uma dignidade inerente ao trabalho humano que jamais deve ser prejudicada ou menosprezada, afirmou o cardeal.

Essa dignidade, disse ele, tornou-se uma preocupação fundamental do ensinamento social católico moderno durante a Revolução Industrial, quando o Papa Leão XIII publicou sua encíclica Rerum Novarum em 1891, em resposta aos baixos salários, às condições de trabalho perigosas, à insegurança econômica e à exploração dos trabalhadores.

McElroy afirmou que o mundo está se aproximando de mais uma transformação econômica.

"Hoje, estamos na iminência de outra revolução que afetará drasticamente o trabalho em nosso mundo e a dignidade do trabalho", disse ele.

O cardeal disse que recentemente se juntou a outros cardeais americanos para discussões no Vale do Silício com líderes de equipes de inteligência artificial em empresas na vanguarda da tecnologia.

Entre os tópicos discutidos, ele mencionou o efeito que a IA pode ter na força de trabalho, especialmente quando combinada com robôs cada vez mais capazes.

"O mercado de trabalho vai mudar radicalmente nos próximos 20 anos", disse McElroy. Ele previu "tremendas mudanças no emprego dos trabalhadores", afirmando: "Milhões de trabalhadores que têm emprego agora não terão esses empregos daqui a 10 anos".

McElroy afirmou que os trabalhadores devem ter voz quando governos, empresas e a sociedade enfrentam decisões sobre inteligência artificial e automação.

"Nós, como sociedade, temos que estar presentes nas discussões, buscando essa visão de trabalho e nos esforçando para garantir que a exploração não aumente e que a riqueza do país não vá cada vez mais para um número cada vez menor de pessoas em detrimento da classe trabalhadora", disse o cardeal.

O desafio para os trabalhadores, disse ele, é se preparar para mudanças com "tremendas repercussões para todos os trabalhadores".

Ele acrescentou que a preparação deve incluir estruturas bem pensadas para preservar a "criação contínua por meio do trabalho" e ajudar a construir a família humana.

"Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para defender os trabalhadores neste momento em que vivemos e nos anos que virão, que transformarão o trabalho humano, para que tenhamos uma força de trabalho e uma oportunidade de trabalho que realmente reflitam o dom de Deus para todos nós, o chamado de Deus para todos nós e os maravilhosos talentos que temos para edificar a criação que Deus nos deu no Livro do Gênesis", disse McElroy.

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