Campo democrático e segurança pública: desafios e perspectivas em meio a insegurança nacional

​Evento debate as políticas que causam insegurança pública a partir da própria conexão dos setores públicos com o crime organizado no Instituto Humanitas Unisinos – IHU nesta quarta-feira, 02-09-2026, às 9h30min

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por: Luana de Oliveira | 01 Setembro 2026

A democracia começa a partir do princípio de que toda vida humana é válida, onde os direitos humanos são para todos. Nessa perspectiva, há inúmeras falhas começando pela segurança pública de nosso país, tendo uma política onde o Estado mais mata do que recupera. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 6.602 mortes pelas mãos da polícia em 2025, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior.

Os perfis das mortes escancaram a desigualdade extrema no país. 82% dos assassinados eram pessoas negras. O risco de um negro ser morto por policiais no Brasil é 3,5 vezes maior ao de um branco. Nessa situação, o racismo sem precedentes também escolhe quem irá morrer.

Além do uso da violência da força letal, os agentes do Estado também falham em suas prisões. De acordo com informações compiladas pela Repórter Brasil com base em dados de Tribunais de Justiça, entre 2020 e 2024, 1.438 pessoas foram condenadas injustamente, somente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A dura condenação imposta pelos tribunais também atingem os inocentes.

Em meio a um cenário onde a política não consegue conter a violência e as próprias autoridades são acusadas de estarem envolvidas com milicianos, onde o próprio tráfico se instaura na política, as estratégias para uma efetiva segurança pública e democrática estão longe de começar. E isso tudo só piora quando um país como os EUA, liderado por Donald Trump, colocam as facções como organizações terroristas, ameaçando até mesmo a soberania nacional.

Ao falar sobre a questão em uma entrevista concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o sociólogo José Cláudio Alves afirma não ver "como a classificação como terroristas vai dificultar realmente ou impedir a ação das facções. Esse é um jogo discursivo, politizado, que está sendo jogado para favorecer Flávio Bolsonaro. A estrutura criminal das facções é cada vez mais ampla. Em todas as esferas temos notícia dessa amplitude de uso do setor financeiro, de produção de bens de serviços, ou seja, de uma lógica cada vez mais ampliada e diversificada". O pesquisador comenta também que "o populismo punitivista virou a grande bandeira a ser disputada tanto pela direita quanto pela esquerda. Não se fala de outras questões mais concretas e menos punitivistas ou violentas".

Em entrevista ao IHU, o antropólogo Luiz Eduardo Soares traz a visão de que "a circulação promíscua de policiais entre os porões da ditadura, a segurança privada de bicheiros e outros negócios escusos, em associação progressiva com políticos municipais, demonstra a profundidade da captura de instituições do Estado, cujos titulares passam da tolerância à cumplicidade e, daí, à rendição".

O campo democrático e a segurança pública. Desafios e perspectivas

 

Nesta quarta-feira, 02-09-26, Luiz Eduardo Soares e José Cláudio Alves debatem essas questões no evento "O campo democrático e a segurança pública. Desafios e perspectivas", promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A videoconferência será transmitida ao vivo, às 9h30min.

Sobre a política corrupta aliada ao domínio das milícias nos territórios do Rio de Janeiro, Soares afirma que "o imenso equívoco de considerar atenção à corrupção policial (sabendo-se que ela é sempre a contraface da brutalidade policial, aplicada com viés de raça, cor, território e classe) uma espécie de purismo pequeno-burguês ou moralismo udenista fechou os olhos de muitas lideranças progressistas para as implicações de alianças com grupos políticos vinculados, direta ou indiretamente, a estruturas de poder milicianas, envolvendo vertebrações clientelistas perversas".

A partir dessa mesma perspectiva ao falar sobre a insegurança dos moradores dessas comunidades, Alves menciona que "as milícias têm conexão com tudo: com o mercado imobiliário, com estruturas das prefeituras, com as Organizações da Sociedade Civil que prestam serviço na área da saúde no Rio de Janeiro. Então, ao tentar fazer algum tipo de denúncia, as pessoas se deparam com a estrutura estatal envolvida naqueles esquemas. O que as pessoas vão fazer? Vão recuar".

Serviço

O quê: "O campo democrático e a segurança pública. Desafios e perspectivas" 

Quando: 02-09-2026, às 9h30min 

Quem: 

Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU

Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias

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