População de Gaza denuncia destruição de usina de dessalinização de água por Israel

Foto: World Health Organization

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27 Agosto 2026

A destruição de uma usina de dessalinização no bairro de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza, provocou revolta e desespero entre os moradores. Bombardeada por Israel em 24 de agosto, a instalação produzia cerca de 100 metros cúbicos de água potável por dia, um recurso vital em um território onde a maior parte da água não é própria para consumo. O Exército israelense afirma ter atingido um depósito de armas do Hamas, mas moradores e o grupo islâmico palestino denunciam um crime de guerra.

A reportagem é de Rami El Meghari, publicada por RFI, 26-08-2026.

Israel afirmou que o alvo era um depósito de armas do Hamas. Já o movimento palestino e moradores da região acusam o Exército israelense de destruir deliberadamente uma infraestrutura civil essencial para a população.

A explosão abalou toda a região de Sheikh Radwan, no noroeste da Cidade de Gaza. Karam Alnemnem, que morava perto da usina, viu não apenas sua casa, mas também seus planos para o futuro serem destruídos.

“Eu deveria me casar em cerca de duas semanas. Todos os meus móveis, minhas malas e os pertences da minha futura esposa foram destruídos. Que Deus nos compense por essa perda”, lamenta o jovem de 25 anos.

O ataque deixou pelo menos dois mortos, ambos civis, entre eles um idoso e uma criança. Centenas de pessoas também foram obrigadas a deixar suas casas.

Como o caso de Jihane, jovem que critica os “falsos apelos à paz” e pede ajuda à comunidade internacional. “Estão mentindo para nós. A guerra continua. Já fomos deslocados várias vezes do sul de Gaza. Que nos tirem daqui, estamos fartos. Basta!”, desabafa.

Infraestrutura vital
A usina havia acabado de ser recuperada após meses de trabalho. Responsável pela reforma, Abdelhameed Almekawi diz estar indignado com a destruição do local.

“Fizemos esforços enormes, dia e noite, para finalmente fornecer água às pessoas e trazer um pouco de alívio. Israel afirma que isto era um depósito de armas. Juro que isso é falso. Jovens trabalharam em meio ao mau cheiro para remover montanhas de lixo e eliminar ratos e mosquitos”, conta.

O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, condenou o bombardeio e classificou o episódio como “uma nova tentativa de privar os habitantes de Gaza de qualquer meio de sobrevivência”.

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