Frigoríficos da Amazônia abateram 134 mil cabeças de gado ilegal em 2023 e 2024

Foto: Freepik

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21 Agosto 2026

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou na 5ª feira (20/8) os resultados do 3º Ciclo Unificado de Auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal. Segundo o levantamento, cerca de 134 mil cabeças de gado criadas em fazendas desmatadas ilegalmente na Amazônia, com trabalho escravo ou indícios de lavagem de gado foram vendidas aos frigoríficos da região em 2023 e 2024. O número equivale a quase 8% do total de compras do período.

A informação é publicada por ClimaInfo, 20-08-2026.

É importante observar que o levantamento abrange o abate de pouco menos de 1,78 milhão de cabeças de gado, o que representa apenas 0,04% do total de cabeças abatidas em 2025 (42,94 milhões). Outra observação importante é que não está claro, no material do MPF, se as auditorias cobriram todas as fazendas pelas quais este gado passou ao longo de sua vida ou apenas a última, na qual vendeu o gado ao frigorífico.

As auditorias são fruto de acordos firmados entre o MPF e os frigoríficos desde 2009, a fim de verificar o rigor no controle da origem do gado pelas empresas. O objetivo é evitar a contaminação da cadeia da carne bovina por irregularidades, como desmatamento ilegal, grilagem, trabalho escravo, invasões a Unidades de Conservação e a Terras Indígenas e Quilombolas, entre outras.

Foram analisadas operações de comercialização de gado no Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O levantamento identificou irregularidades em todos os estados, e apenas o Tocantins apresentou um índice de inconformidade abaixo do limite considerado aceitável pelo MPF, de 4%. O estado registrou 0,2% de inconformidade entre as empresas auditadas e 31,1% entre as não auditadas -nem todas as empresas convocadas pelo órgão fizeram suas auditorias.

No Mato Grosso, o índice de inconformidade foi de 4,6% entre as empresas auditadas e de 39% entre as não auditadas. No Pará, foram de 5,4% e 33%, respectivamente. No Acre, os frigoríficos auditados tiveram inconformidade em 24% de suas compras, e 67% entre os que não participaram da auditoria. Já o Amazonas registrou o maior percentual de não conformidade entre os frigoríficos auditados (41%), e 49% entre os não auditados. Em Rondônia, as inconformidades atingiram 17% das compras das empresas auditadas e 37% das não auditadas.

Para chegar aos dados de empresas que optaram por não participar das auditorias, o MPF fez uma análise automatizada de dados por meio de uma ferramenta que cruzou dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA), além de verificar sobreposições com áreas de desmatamento mapeadas pelo sistema PRODES, do INPE.

Apesar das inconformidades, os números relativamente baixos foram comemorados pelo MPF. “As ilegalidades representam uma fração ínfima da cadeia do gado. Nosso esforço é jogar luzes não no que está errado, mas no que é feito dentro da lei”, destacou Frederico Siqueira, procurador da República de Mato Grosso, citado pelo ((o)) eco.

O Globo Rural também repercutiu o novo ciclo do TAC da Carne.

Em tempo

O avanço da rastreabilidade da carne bovina no Brasil pode contar com um parceiro importante: a China, maior consumidora global da mercadoria brasileira. Segundo ((o)) eco, especialistas reforçam a importância do mercado chinês não apenas como um indutor do rastreamento por parte dos produtores brasileiros, mas também como parceiro tecnológico para facilitar esse monitoramento. Os dois países vêm discutindo mecanismos para aproximar os sistemas de certificação e rastreabilidade e, desde junho, o porto de Tianjin está testando um piloto para a implementação da certificação Beef on Track (BoT) encabeçada pelo Imaflora.

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