Aposta na Foz do Amazonas troca transição energética por visão ‘antiga’ de soberania, diz geógrafo

Foto: Agência Brasil

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20 Agosto 2026

Wagner Ribeiro aponta que opção do governo ignora a urgência climática e cede a pressões de setores políticos poderosos.

A informação é de José BernardesLarissa Bohrer e Maria Teresa Cruz, publicada por Brasil de Fato, 19-08-2026. 

Depois do imbróglio envolvendo a aprovação da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a Petrobras anunciou a viabilidade de iniciar o processo na região. O movimento indica que o governo federal está optando neste momento por manter a soberania energética do país, garantindo não necessitar da importação de outros países produtores, deixando de lado o urgente debate da transição energética.

Essa é a avaliação do geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, contudo, o especialista afirma que “a soberania está no novo” e pensar no petróleo como principal fonte energética é uma visão “antiga”. “A soberania está na aposta necessária de buscar alternativas que nós já temos, na verdade. Trata-se de dar escala de produção, e isso, evidentemente, afronta interesses políticos poderosos, importantes, que hoje têm influência sobre o governo federal”, critica.

Ribeiro fala sobre a “maldição do petróleo”, que é o fato de que, “com exceção da Noruega, o petróleo sustenta regimes autoritários”. O geógrafo afirma que a economia do petróleo gera “conflitos e concentração de riquezas” e vai no extremo oposto do que o debate mundial pede, que é a redução da emissão de gases de efeito estufa. “Temos vários argumentos para dizer não ao petróleo. Temos que ter a ousadia de dizer isso e assumir o novo desafio, que é justamente apostar nas energias renováveis”, resume.

O geógrafo também menciona outros tantos efeitos colaterais danosos da economia do petróleo, como, por exemplo, a especulação imobiliária e a contaminação da água. “Na Baixada Santista e em Macaé isso aconteceu. Quando você tem um aumento da moradia, você tem vários outros custos associados. Você tem que pensar que o aluguel do comerciante também vai ficar mais caro, portanto, o alimento vai ficar mais caro, por exemplo, para a população de baixa renda. Isso tudo está até acima das consequências já hoje muito claramente demonstradas”, argumenta.

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