15 Agosto 2026
Os impactos climáticos líquidos da inteligência artificial (IA) dependem em grande parte de como suas aplicações se propagam por rotas energéticas concorrentes. As análises predominantes examinam a relação entre a demanda de energia de data centers, a otimização de energias renováveis e a eficiência do lado da demanda. No entanto, abordam insuficientemente como a IA também remodela a economia dos combustíveis fósseis, aumentando a produtividade da exploração de petróleo, gás fóssil e carvão. E é aí que mora o perigo.
A informação é publicada por ClimaInfo, 13-08-2026.
Para resolver essa lacuna, um estudo publicado na npj Climate Action modelou o potencial técnico da IA para impulsionar a geração de energia renovável, juntamente com projeções de como ela pode ajudar na produção de carvão, petróleo e gás. Em 64 cenários, a pesquisa descobriu que a poluição líquida anual de carbono aumentou entre 0,47 e 1,8 gigatoneladas. É cerca de 1% a 5% das emissões anuais do setor de energia, informam Guardian e Inside Climate News.
Os pesquisadores descobriram que as emissões líquidas só diminuíram em cenários onde a IA não aumentou a produtividade no setor de combustíveis fósseis. Eles constataram que, se as instalações de energia renovável e de petróleo, gás e carvão adotassem a IA em taxas semelhantes, os ganhos de produtividade para as renováveis teriam que superar os dos combustíveis fósseis em pelo menos quatro vezes para que as emissões se anulassem.
Coautora do estudo e ex-funcionária da Microsoft que deixou a empresa para cofundar o grupo de campanha Enabled Emissions, Holly Alpine afirmou que a equipe de pesquisa utilizou a premissa conservadora de que a adoção da IA ocorreria na mesma proporção tanto para combustíveis fósseis quanto para energias renováveis. “As aplicações de combustíveis fósseis já estão acontecendo em grande escala hoje em dia – contratos reais, implantação real, com evidências de operadores do setor e analistas financeiros”, disse ela. “As aplicações de energias renováveis ainda estão em grande parte na fase de projeto-piloto ou estudo acadêmico, mais especulativas, mais dependentes da resolução de barreiras de implantação, como licenciamento e interconexão.”
A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a IA poderá aumentar as reservas tecnicamente recuperáveis de petróleo e gás em 5% e reduzir o custo de projetos em águas profundas em 10%. Executivos do setor petrolífero têm demonstrado entusiasmo com o combustível extra que a inteligência artificial lhes permitiu encontrar e comemorado seu impacto emergente como “o próximo boom do fraturamento hidráulico”.
Mais uma vez, enquanto a indústria petrolífera comemora, a população de todo o mundo sofre com eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas que os combustíveis fósseis causam.
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