01 Agosto 2026
"A ocupação brutal que permeia a consciência de cada palestino personifica-se no soldado, equipado do capacete às botas de combate por tecnologias futuristas, na arrogância nervosa e agressiva de ser superior. "Em comparação, os soldados das gerações anteriores parecem pertencer ao Exército de Salvação", observa Levy com ironia".
O artigo é de Luca Foschi, jornalista, publicado por Avvenire, 30-07-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
"Você é judeu? O que estava fazendo em Ramallah?", pergunta o soldado ao jornalista veterano. "Encontramo-nos com algumas pessoas", responde este último. "Você está destruindo o país", sentencia furioso o jovem soldado de infantaria, antes de permitir que o carro passe pelo posto de controle "DCO", tranquila fronteira setentrional da capital da Cisjordânia.
O jornalista é Gideon Levy, respeitado cronista do jornal progressista Haaretz, memória histórica de um Israel do passado, veterano remanescente de uma era do jornalismo já extinta, hoje soterrada pela hegemonia letal da comunicação. Com ele, no carro, seu fiel fotógrafo, Alex Lavac. Juntos, praticam a antiga arte da crônica, em terra estrangeira, visitando os vilarejos sitiados pelos colonos, as famílias dos jovens mortos pelas FDI por terem atirado uma pedra, os doentes com câncer condenados pela pobreza e pelas barreiras que transformaram a Cisjordânia em um vasto experimento de biopolítica de campo de concentração. Uma Mancha árida e distópica, atravessada com obstinação quixotesca em busca do Outro, e do seu palpável mistério.
Suas reconstruções minuciosas formam um arquivo legal destinado a integrar as fontes do direito internacional, quando este for ressuscitado. Eles compilam um catálogo de emoções prontas para se insurgir numa parca guerrilha pacificamente direcionada contra o esquecimento que toda atrocidade prepara e fomenta.
Logo atrás do Outro palestino vive o inalcançável Outro israelense, a covarde vacuidade dos governos e o torpor dos povos despertado por raros e efêmeros surtos de indignação coletiva. Em Ramallah, eles se encontraram com algumas pessoas; dizem, portanto, ao jovem militar de fronteira, Alex e Gideon, cronista que detesta o editorial sentencioso, sempre de sandálias e caderno na mão, mesmo nas ocasiões mais solenes.
Eis, então, a condenação peremptória, gritada bem em seus rostos pela janela do carro, enquanto os canos de fuzis carregados eram apontados para os culpados. “Marcado por tantos episódios semelhantes nos postos de controle, permaneci em silêncio. Somente depois de me afastar é que fui tomado por uma tristeza diferente de tudo o que já havia sentido nos Territórios Ocupados", relatou Levy no artigo intitulado "Como o serviço militar 'de valor' está dando vida em Israel a uma geração perdida" um sóbrio e magnífico relato de um mutismo derrotado, epifania de uma nação que se enrosca sobre si mesma.
A ocupação brutal que permeia a consciência de cada palestino personifica-se no soldado, equipado do capacete às botas de combate por tecnologias futuristas, na arrogância nervosa e agressiva de ser superior. "Em comparação, os soldados das gerações anteriores parecem pertencer ao Exército de Salvação", observa Levy com ironia, antes de concluir com um pessimismo que abarca toda uma geração, independentemente dos resultados eleitorais, próximos e futuros: "Esses jovens foram treinados para serem violentos, brutais e racistas em qualquer situação. Não há caminho de volta para eles. Carregarão isso consigo pelo resto de suas vidas."
Esse retrato jornalístico sombrio, tão implacável quanto a realidade do cotidiano, dialoga com a grande crônica, com as leis aprovadas de última hora pelo executivo de Netanyahu para excluir os jovens estudiosos da Torá do serviço militar obrigatório, com o risco de guerra civil evocado pelo presidente da república Herzog; com as hipóteses de possível vitória eleitoral do general de centro Eisenkot, pai e tio de três jovens soldados mortos na guerra de Gaza. E com a "Super-Esparta" autárquica almejada pelo primeiro-ministro Netanyahu, remetendo, talvez, à krypteia, o rito de passagem para a vida adulta dos jovens guerreiros gregos que afiavam as lâminas da conquista na carne dos hilotas.
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